Gestão de Paulo Garcia (PT) sofre por falta de diálogo com o Estado

Para Jayme Rincón, rusga entre esferas administrativas é fruto da proximidade do petista com Iris Rezende e da questionável “autossuficiência” manifestada pelo chefe do Executivo municipal

Eleito pela quarta vez governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo mantém a postura municipalista, a qual tem sido uma de suas principais marcas ao longo dos doze anos em que esteve à frente da gestão estadual. Exceção desta realidade, a prefeitura de Goiânia, gerida pelo petista Paulo Garcia, enfrenta inúmeros entraves para que o diálogo com o Palácio das Esmeraldas seja viabilizado.

Reflexo disso ou não, a gestão municipal amarga uma crise financeira e estrutural, acarretando a péssima visibilidade do chefe do Executivo municipal entre os goianienses. “O Paulo Garcia é muito cabeça dura”, respondeu Marconi em entrevista coletiva no último dia 26, quando questionado sobre as relações com o petista.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, atribuiu à suposta indisposição da atual administração de Goiânia com o Estado a duas possíveis explicações. Uma delas seria a proximidade de Paulo com o decano peemedebista Iris Rezende, que não esconde de ninguém a birra com o atual governador. A segunda explicação, segundo Jayme, é a “autossuficiência” do prefeito. “Ele achava que não precisava de ninguém, que daria conta de tudo sozinho”, explicou.

No ano passado, as esferas administrativas chegaram a ensaiar  uma tentativa de conciliação, quando as gestões assinaram convênios para resolver a “crise do lixo” que assombrava Goiânia e a questão do custeio das gratuidades do transporte coletivo. A bandeira branca, no entanto, não durou muito tempo e o Paço voltou a atacar o governador dizendo que ele não havia cumprido com os compromissos firmados.

Pensa-se, assim, que a relação conflituosa entre as administrações tem origem nas bases políticas opostas (PT e PSDB) a qual governador e prefeito integram. Mas não é bem assim. O tucano Marconi não encontra empecilhos no relacionamento com o governo federal, por exemplo, gerido há 12 anos pelo Partido dos Trabalhadores e mantém uma relação cordial com a presidente Dilma Rousseff, tendo eles trocado elogios mútuos em várias ocasiões.

Em Anápolis, o prefeito e também petista João Gomes exalta as qualidades republicanas do tucano, com quem, inclusive, fechou convênio há algumas semanas para o município. “Tanto comigo, quanto como Antônio Gomide (PT), sempre mantivemos parcerias e projetos em comum. O gestor público não leva em contas as eleições. O próprio governador reconhece que o gestor deve pensar no seu Estado e no seu país. É assim que acontece com Marconi e Dilma”, pontou em entrevista ao Jornal Opção Online nesta quinta-feira (6/11).

Questionado sobre as constantes contendas entre a gestão estadual e a de seu colega de partido, João Gomes desconversou e disse estar centrado em suas responsabilidades como prefeito, “sem tempo para avaliar a situação de outros municípios”, mas ressalva logo depois: “é uma questão de maturidade”.

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