Prefeito de Trindade defende “equilíbrio” no combate à pandemia

Protocolo de tratamento adotado pelo município tem obtido êxito no tratamento de pacientes com Covid-19

O prefeito de Trindade, Jânio Darrot (PSDB), aponta que a busca pelo equilíbrio tem norteado suas decisões em relação ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no município. Cidade conhecida por seu turismo religioso e intenso trânsito de pessoas, Trindade poderia facilmente ter se tornado um ponto com alto número de infectados, mas tem conseguido manter a situação controlada.  

Segundo o gestor, isso tem sido possível com planejamento e responsabilidade. “Trindade tem seguido os protocolos de vigilância epidemiológica, intensificou a fiscalização e trabalha a educação da população, com recomendações de higiene e uso de máscaras e álcool em gel. Pedimos que saiam apenas em caso de necessidade e que tomem todos os cuidados”, explica Darrot.

O município conta com 72 leitos, dos quais 10 estão equipados com respiradores. De acordo com o último boletim, quatro leitos estão ocupados por pacientes com Covid-19 que não necessitam de respiradores e se recuperam bem. Outros 9 pacientes se recuperam em casa, cumprindo isolamento social.

Ao todo, 20 pacientes já estão curados. A cidade registrou dois óbitos, ambos de caminhoneiros que manifestaram a doença a caminho da cidade. Um deles faleceu antes de conseguir retornar a Trindade, o outro chegou a ser atendido na UPA e foi entubado mas não resistiu. Cerca de 150 exames para Covid-19 foram realizados, detalha Darrot.

Flexibilização

O prefeito tomou a decisão de flexibilizar o decreto estadual no dia 20 de abril, possibilitando a reabertura de lojas de eletrodomésticos, vestuário, pequenos comércios e academias. No dia 15 de maio, a flexibilização foi ampliada para a rede hoteleira que passou a funcionar com 65% de sua capacidade e restaurantes e bares, com 50% da lotação.

Os protocolos, segundo Jânio, são rígidos e a fiscalização é feita por 30 fiscais de posturas, que já fecharam cerca de 20 estabelecimentos que não seguiam as normas de segurança. “A reabertura só será autorizada após estarem aptos a atender as pessoas com total segurança e responsabilidade”, observa o prefeito.

Troca de experiências

Sobre a relação com a gestão estadual, Darrot afirma que participou de duas reuniões virtuais de prefeitos com o governador Ronaldo Caiado (DEM), tendo, na oportunidade, apresentado sugestão para que a Secretaria Estadual de Saúde faça um trabalho em parceria com as municipais. “Sugeri a criação de um protocolo de tratamento. Temos sido bem sucedidos na cura, com medicamentos como vitamina D3, Azitromicina, analgésicos e outras medicações complementares”, detalhou.

“É importante trocar essa experiência. Temos que estar preparados para tratar o paciente no início da doença, no município, isso é muito importante. Temos sido muito bem sucedidos na cura quando começamos a tratar nos primeiros dias de sintomas. Até porque sabemos que a facilidade de proliferação do vírus é grande, apesar de todos os cuidados”, afirma ao defender a criação de um protocolo único.

De acordo com prefeito, apesar de Caiado não ter se manifestado no momento, acredita que o governador irá analisar a sugestão e determinar à SES-GO providências neste sentido. “O governador tem as convicções dele e suas manifestações de preocupação em relação à abertura dos bares e comércio são pertinentes”, analisou, ao pontuar que sua visão é a de que esses locais também cumprem função social. “São milhares de pessoas que tem sua sobrevivência no comércio de bares e restaurantes, então é muito traumático fechar”, pondera.

Não é possível prever quanto tempo isso vai levar e as pessoas estão preocupadas em como sobreviver até o fim da pandemia

“É preciso ter o equilíbrio entre a saúde e a sobrevivência das pessoas. Nós também corremos riscos nas farmácias, supermercados e ônibus, então é difícil chegar ao ponto de dizer que tal setor pode ser sacrificado em prol de todos. É tudo muito novo e nós temos que tomar decisões, e elas serão avaliadas e julgadas. Somos passíveis de punições e iremos responder por tudo”, argumenta o prefeito. “Esperamos que os cientistas cheguem a uma vacina, pois, se fosse pontual era só fechar tudo por 60 dias. Mas não é possível prever quanto tempo isso vai levar e as pessoas estão preocupadas em como sobreviver até o fim da pandemia”, completa.

Por fim, Jânio enfatiza que é preciso ter cuidado e equilíbrio, tratar os doentes, fiscalizar o comércio, fazer desinfecções, realizar campanhas educativas e levar informações às pessoas. “Combater a desinformação também é importante. Estamos vivendo uma pandemia que deve durar muito tempo ainda. Alguns dizem que o pico poderá ser em junho, muitos apontam que enfrentaremos o problema até o final do ano. No mundo inteiro também existe uma preocupação com uma segunda onda do coronavírus”, encerra.

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