Prédio em Pirenópolis não gera impacto no Centro Histórico, afirma Iphan

Instituto explicou toda a análise técnica feita em relação à pousada Quinta Santa Bárbara, mostrando que, do ponto de vista estrutural, não haverá dano à cidade

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Foto: Rafael Neddermeyer

O prédio da pousada Quinta Santa Bárbara, em Pirenópolis, não causará impacto algum no Centro Histórico da cidade, de acordo com arquiteto Sílvio Cavalcante, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O visual é o mesmo. A construção está dentro da legislação histórica. Não causa impacto nenhum no centro histórico”, disse.

Após movimentação de moradores de Pirenópolis contra as obras dos edifícios Estrada Parque dos Pireneus e Quinta Santa Bárbara, o instituto explicou ao Jornal Opção exatamente como é o projeto aprovado. As construções serão destinadas para moradia e turismo, e estão sendo questionadas (dentre outros pontos) pela influência na estrutura de construções históricas da cidade.

O Iphan comentou, entretanto, somente sobre o projeto da Quinta Santa Bárbara que, de acordo com a coordenadora técnica Beatriz Otto de Santana, foi o único que chegou para avaliação. “Provavelmente o outro não chegou aqui porque o empreendimento não deve ser construído em área tombada”, explica.

A pousada Quinta Santa Bárbara já existe e fica ao lado da Igreja do Bonfim. A ampliação será feita após firmada sociedade entre o dono da pousada e a B3 Incorporadora e Construtora. O local, que atualmente possui chalés, será ampliado com a construção de 14 blocos com 199 apartamentos. O local contará com uma biblioteca, uma sala de jogos e uma academia.

O projeto já havia passado pelo Iphan em 2014, mas foi rejeitado por não respeitar a área de ocupação permitida. Segundo Beatriz Otto, o documento anterior previa ocupação de 30% do terreno, sendo que, pelo tamanho da área, há uma restrição, permitindo que seja utilizado somente 10%. No segundo projeto enviado, a área foi reduzida para o que é permitido.

A coordenadora explicou que é de competência do Iphan a análise da altura do edifício, ocupação e materiais usados. Em relação à altura, por ser área tombada, as edificações podem ter até dois pavimentos a depender da inclinação do terreno. No caso da pousada, após avaliar a inclinação, o instituto percebeu que seria possível construir dois andares com altura máxima de 8,5 metros pelo fato da rua ser mais alta. “Desta forma, o prédio não irá destoar da altura das construções da região”, pontuou Beatriz.

Para análise da altura, o Iphan se atentou ainda para a vegetação local. A preocupação do instituto era que o tamanho do prédio destoasse do resto da cidade. Conforme a coordenadora técnica, no entanto, a massa vegetativa da região ameniza o volume que os dois edifícios vão criar. “Independente disso, a topografia do terreno permite esses dois pavimentos. Por isso, nesse caso, foi permitido”, assegurou.

Sobre as nascentes e córregos, um dos questionamentos dos moradores contrários às construções, a coordenadora técnica assegurou que, de fato, na área existe o Córrego da Prata. Entretanto, a Área de Preservação Permanente (APP) foi e continuará sendo respeitada.

Outro ponto analisado é a ocupação no limite do terreno e os materiais usados. Conforme Beatriz, para respeitar as características do período do ouro presente em Pirenópolis, as construções devem estar “grudadas” no limite dos muros e calçadas. Além disso, serão utilizadas telhas coloniais e os edifícios serão pintados de branco para seguir a leitura do conjunto local. “Claro que não vai recriar um edifício histórico, mas analisamos para ver se está adequado à cidade”, conta.

Beatriz Otto assegurou que foi analisado pelo Iphan até onde coube ao instituto. Ao fim do parecer técnico foi frisado que documento não extingue a necessidade de análise por outras instâncias municipais, como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

O secretário de Meio Ambiente,  Arthur Pereira Abreu Júnior, informou ao Jornal Opção que o licenciamento ambiental foi concedido em setembro deste ano.

Já a pousada Estrada Parque dos Pireneus ainda não deu entrada para a licença ambiental. O processo ainda está na Secretaria de Finanças, responsável por conceder o alvará de construção.

Time Share

Além da preocupação em torno da estrutura histórias e dos recursos ambientais, moradores afirmam que a cidade não possui infraestrutura para suportar o aumento da circulação de turistas. Isso porque a pousada pretende ser no sistema “time share”, em que em várias pessoas compram o mesmo apartamento, tornando-se sócias.

O arquiteto Sílvio Cavalcante comentou que, de fato, o sistema naturalmente gera um aumento de pessoas na região. “O problema é que a cidade de fato não possui infraestrutura de água, esgoto, trânsito”, comenta. De acordo com ele, o modelo  já é adotado em diversas pousadas de Caldas Novas, a 166 km de Goiânia, aumentando o tempo de ocupação dos hóspedes e pressionando a cidade. “O apartamento acaba sendo alugado o ano todo”, sustenta.

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