Preços dos alimentos e combustíveis no Brasil devem ser impactado por guerra na Ucrânia

Aumento do preço do petróleo e dependência de fertilizantes vindos da Rússia preocupam os produtores agrícolas brasileiros

Enquanto a tensão internacional sobe com os recentes ataques bélicos da Rússia contra a Ucrânia, iniciados na última quinta-feira, 24, o preço do barril de petróleo supera, pela primeira vez, os US$ 100 desde 2014, chegando a US$ 103.78. Isso deve afetar os preços dos alimentos, combustíveis e defensivos agrícolas, por exemplo, e provocar uma pressão inflacionária no Brasil e em outros países. É o que esclarece o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Antônio Jorge Ramalho.

“O petróleo já disparou. Não há dúvida de que haverá uma elevação nos preços dos alimentos e dos combustíveis. O preço dos alimentos, o preço da proteína vegetal, da proteína animal – que depende fortemente das rações preparadas -, tudo isso vai impactar na nossa economia, vai criar uma pressão inflacionária, vai provavelmente obrigar os bancos centrais a elevarem ainda mais rapidamente suas taxas de juros”, aponta. No cenário brasileiro, onde o agronegócio é fundamental para a economia, o setor já se mostra preocupado em relação aos fertilizantes. Para se ter ideia, no ano passado, o país importou da Rússia 9,3 milhões de toneladas desses produtos para a produção agrícola.

O pesquisador da área de custos agrícolas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea), Mauro Osaki, lembra que, há anos, o Brasil importa da Rússia tanto matéria prima de base nitrogenada quanto cloreto de potássio. A instabilidade no Leste europeu pode ainda impactar nos aumentos adicionais nos juros, pelo Banco Central, e isso deve comprometer o crescimento econômico para este ano, reduzindo possíveis melhora dos preços e do consumo.

A pesquisa ‘Sondagem da América Latina’, divulgada nesta semana pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que as turbulências na Ucrânia devem agravar mais as incertezas que pairam sobre a economia global nos últimos meses. A previsão é que no Brasil os impactos deverão ser ainda mais intensos. Isso porque há maior dependência do país aos fluxos financeiros globais, em relação ao restante da América Latina, com o dólar subindo e a bolsa caindo mais que na média do continente. O estudo ouviu 160 especialistas em 15 países e concluiu que haverá deterioração do clima econômico. Na média da América Latina, o Índice de Clima Econômico caiu 1,6 ponto entre o quarto trimestre de 2021 e o primeiro trimestre deste ano, de 80,6 para 79 pontos. No Brasil, o indicador recuou 2,8 pontos, de 63,4 para 60,6 pontos, e apresentou a menor pontuação entre os países pesquisados.

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