Consumidor tem sentido no bolso a alteração. De acordo com o Sindiaçougue, aumento a da carne bovina era esperado para época, mas o valor da suína surpreendeu.

Carne bovina não tem previsão de retração nos preços | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O preço da carne disparou nos últimos 40 dias, com um aumento de 14% na bovina e de até 26% na suína. Ao contrário do aumento do ano passado, que se deu devido às exportações para a China, neste ano, a disparada se dá em razão do período de entressafra, que pressiona todos os anos os preço do produto.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas no Estado de Goiás (Sindiaçougue), Silvio Yassunaga, o aumento também está relacionado ao alto custo do bezerro. “Quando abate o boi, tem que repor. Então, o produtor alega que essa reposição também está muito alta. A gente soma também as exportações, que operam com o dólar, e também o poder de compra deles que exercem essa pressão para o aumento”, afirmou.

De acordo com ele, a pandemia não teve relação com a disparada. “As exportações não foram afetadas por conta da Covid-19 . Se tivesse sido, e as exportações tivessem diminuído, a oferta seria maior e, evidentemente, o preço iria para baixo”, explica Silvio.

Segundo ele, em maio o preço médio da arroba da carne pago pelos açougues era de R$180,00. Em julho, o preço médio da arroba subiu para R$205,00. As carnes bovinas de corte nobre, como alcatra, contra-filé e colchão mole, custavam em torno de R$29,90 o quilo, hoje a média é de R$33,90. A carne de segunda, como acém, paleta ou músculo custava em média R$20,90 o quilo e hoje tem o valor médio de R$23,90. “Sempre, basicamente, esse aumento de mais ou menos 13%. É praticamente o repasse”, disse o presidente.

Aumento dos ovos

Embora Silvio não veja relação com os aumentos na carne, o preço dos ovos também dispararou, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A alta é justificada pelo crescimento da demanda e também de temperaturas mais baixas em boa parte das regiões produtoras, limitando a oferta de ovos com a redução da produção nas poedeiras.

“O aumento [do ovo] no ano passado se deu porque cresceu muito a exportação de carne para a China. Entre setembro e outubro, o aumento passou de 50% e 60%. Realmente, foi um baque muito grande e teve influência, já que o consumidor migrou para outras proteínas”, explica.
“Hoje temos o preço do frango estabilizado”, avalia. “Nos últimos 15 a 20 dias, tivemos um aumento da ordem de 26% na carne suína. Mais alta que a carne vermelha”, conta.

Queda no consumo

O presidente do Sindiaçougue não acredita em queda nos preços tão cedo. “Durante o período de entressafra, até que comece a chover e tenha uma oferta melhor na carne bovina, a gente não tem perspectiva que retraia o preço. É mais fácil ter novos aumentos, além dos que temos hoje, do que uma nova retração”, avaliou. “Nada indica uma melhora. É uma questão de mercado, da oferta.”

Para Silvio, o aumento da carne bovina não surpreende os donos de açougue. “É uma época do ano que sempre tem essa pressão de alta”, relata. Segundo ele, o que realmente surpreendeu foi o aumento na carne suína. “Nessa semana semana tivemos notícia que subiu novamente. Um aumento forte. Não entendemos o motivo. Acredito que não vai se sustentar no mercado. O consumidor não consegue absorver um aumento tão grande em um espaço de tempo tão curto”, observou.

Yassunaga acredita que a população irá reduzir o consumo de carne suína nos próximos dias, o que irá forçar uma retração nos preços da carne de porco. “Culturalmente, temos um consumo muito forte na carne bovina. Na carne de porco, o consumo não é tão forte assim”, avaliou.