“Precisa ter garantias para trabalhar com segurança”, diz deputado goiano, autor de projeto que prioriza testagem em profissionais da saúde

Para o deputado Zacharias Calil (DEM), a vitória no Congresso é de toda a categoria da saúde, que são essenciais no combate à pandemia

Zacharias Calil, deputado federal pelo DEM / Foto: Renan Accioly

De autoria do deputado federal e médico goiano Zacharias Calil (DEM), a Lei nº 14.023/2020 recebeu sanção presidencial e foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 9. Ela prevê que profissionais da saúde, que atuam na linha de frente no enfrentamento a Covid-19, tenham prioridade em testes para detectar o coronavírus.

Para o autor do texto, a vitória é dos profissionais da saúde em geral, não apenas dele como deputado de primeiro mandato. “Profissionais da área da saúde não só médicos, mas todas as pessoas envolvidas vão ser beneficiadas de uma maneira preventiva”, disse.

Até o dia 4 de julho foram confirmados a doença em 175 mil profissionais na área da saúde em todo país. A maioria são profissionais da área da enfermagem, médicos, agentes comunitários e recepcionistas. “Isso me chamou muita atenção desde o início, e nós da Comissão decidimos priorizar os profissionais”, diz o parlamentar. “Quem cuida da saúde dos outros precisa ter garantias de poder trabalhar com segurança e com a certeza de que está saudável”, observou Zacharias.

O deputado aponta que os profissionais de saúde merecem ser testado mais do que outras pessoas porque eles se contaminam e contaminam outros. “No começo não tinha material disponível. Então, se contaminavam, contaminavam as pessoas ao redor também e isso fora em casa. De maneira que muitos ficavam doentes e tinham que ser afastados. Repor esses profissionais é muito difícil”, argumentou.

O deputado lembra que n Hugo foram mais de 50 profissionais contaminados. “O hospital teve que contratar profissionais com a máxima urgência, porque eles não estão disponíveis o tempo todo. Já estão na área de trabalho há algum tempo, substitui-los é muito difícil”, comentou.

Excluído do debate

Sobre como tem sido em âmbito estadual a testagem dos profissionais da saúde, Zacharias disse que tem sido excluído do debate. “Sinceramente, só acompanho pelo jornal as pessoas questionando, os profissionais reclamando. Criaram até um site no Conselho de Medicina para denunciar as dificuldades em relação a isso”, disse.

“É até ruim eu falar. Sou parlamentar do DEM, faço parte da Comissão Externa da Cãmara e nunca participei do Comitê, não sei o que acontece. Nunca participei de nada em relação à saúde e a esse Comitê. Falei isso na Câmara. Hoje discutimos com outros profissionais, com o Ministério da Saúde, e eu não pude participar em relação ao meu Estado, porque não fui convidado”, desabafou.

Intervalo de testagem

De acordo com o médico e parlamentar, o ideal e proposto no projeto, era para que os profissionais de saúde fossem testados de 15 em 15 dias. “Mas não tem condições, porque o teste custa caro e não teria condições de testar a todos neste período. Ficou a cada 30 dias, que já é uma boa opção. Mas se o profissional tem sintoma, deve sim ser imediatamente testado”, explica.

“Na Comissão temos discutido medidas preventivas, temos que mudar a forma de tratamento do Covid, tem que ser um tratamento mais precoce. Isso de deixar a pessoa ir pra casa, em observação sem precisar tomar nada… estamos querendo mudar essa conduta”, acrescentou.


Sobre ter tido o projeto integralmente aprovado pelo presidente, o deputado diz que não entende como o presidente Jair Bolsonaro aprovou sem ressalvas, após apresentar 17 vetos em relação ao uso de máscara de lugares de uso coletivo. “Não sei porquê. No meu projeto aprovou tudo, não sei. É raro isso acontecer. Ainda mais pra quem é deputado de primeiro mandato”, comentou.

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