Postura de Bolsonaro atrapalha a retomada econômica, analisam auxiliares de Guedes

Nos últimos dias, agentes do mercado sinalizaram que podem deixar de apoiar o governo e sua política econômica

Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou em dúvida o sistema eleitoral do país, defendendo a adoção do voto impresso, fez ataques públicos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e deu declarações golpistas ao convocar apoiadores para manifestações, sobretudo, no dia 07 de setembro.

Atritos criados com outros Poderes, antes relevados internamente sob a justificativa de que a agenda econômica tinha respaldo e caminharia paralelamente, começam a ser interpretados de forma diferente. Neste sentido, a postura do presidente Bolsonaro tem gerado incômodo em integrantes do Ministério da Economia. Para eles, o mandatário atrapalha a retomada da atividade econômica.

Nos últimos dias, agentes do mercado sinalizaram que podem deixar de apoiar o governo e sua política econômica.

Auxiliares do ministro Paulo Guedes (Economia) entendem que o movimento está diretamente ligado à ação de Bolsonaro, que cria instabilidade na condução do governo e coloca em dúvida o funcionamento das instituições. O presidente convocou apoiadores para manifestações nesta terça-feira.

Esse efeito ocorre porque diversos produtos consumidos em grande escala no país são precificados em dólar, como carne, açúcar, café e óleo de soja, além de combustíveis. O dólar mais alto também encarece o que o Brasil importa, como componentes eletrônicos e insumos agrícolas.

A turbulência gerada pelas dúvidas em relação à condução do governo ainda pressionam para cima os juros de mercado, o que encarece o crédito às famílias e o financiamento das empresas, além de ampliar o custo de administração da dívida pública pelo governo, ressalta uma das fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo.

De janeiro a agosto, projeções de analistas do mercado, divulgadas pelo boletim Focus, do Banco Central, se deterioraram. A expectativa para o câmbio ao fim do ano subiu (de R$ 5 para R$ 5,15), assim como a da Selic (de 3,25% para 7,5%) e de inflação (de 3,34% para 7,27% no IPCA).

Para o PIB em 2022 também houve recuo nas perspectivas, caindo de 2,5% para 2%. Ainda houve queda na estimativa do investimento estrangeiro direto (de US$ 60 bilhões para US$ 54 bilhões).

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