Possível aliança do PL com PSDB em SP complica “casamento”, diz Bolsonaro

Continua a conversa com o cacique maior do partido, Waldemar Costa Neto, mas presidente quer controle de acordos difícil de entregar

Bolsonaro e Valdemar: discussão de filiação ficou emperrada | Foto: Reprodução

Complicou a filiação de Jair Bolsonaro ao PL – ou o “casamento”, para citar a metáfora que ele sempre usa, como usou novamente desta vez. Sem partido há dois anos, o presidente disse neste domingo, 14, divergências em composições estaduais na eleição do ano que vem colocam em dúvida a migração para o partido, comandado há décadas pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto (SP).

“O casamento tem que ser perfeito. Se não for 100%, que seja 99%. Se até lá afinarmos pode ser, mas eu acho difícil essa data [22]. Tenho conversado com ele [Valdemar], estamos de comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento, para que ele não comece sendo muito igual aos outros”, afirmou Bolsonaro, que deu as declarações durante visita à Dubai Air Show, feira aérea no emirado do Golfo Pérsico.

Um dos grandes entraves à filiação, de acordo com Bolsonaro, é a situação de São Paulo, onde o PL tem a intenção de apoiar a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo. Os bolsonaristas descartam essa hipótese, já que Garcia terá o apoio do atual governador, João Doria (PSDB), um dos principais adversários do presidente.

Bolsonaro pretende lançar para o governo o atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. “A gente não vai aceitar em São Paulo o PL apoiar alguém do PSDB. Não tenho candidato em São Paulo ainda, talvez o Tarcísio aceite esse desafio. Seria muito bom para São Paulo e para o Brasil, mas temos muita coisa a afinar ainda”, afirmou o presidente.

Ele também afirmou que há questões programáticas que precisam ser conversadas com o cacique do PL. “Nós queremos um projeto de Brasil, e o discurso não é apenas o meu, é do presidente do partido também. Temos de estar alinhados. Por exemplo, o discurso meu e do Valdemar nas questões das pautas conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política de relações exteriores, que está indo muito bem”, disse o presidente.

Segundo ele, a filiação só vale quando estiver assinada. “Enquanto não assinar, não vale. Você já quer saber a data da criança se eu nem casei ainda?”, afirmou, repetindo uma de suas metáforas preferidas.

Os entraves para o “matrimônio” com os liberais não param por aí. No Nordeste, reduto do possível adversário em 2022 Luiz Inácio Lula da Silva, o PL tem negociações com o PT e partidos de sua base.

* Com informações do portal UOL.

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