Por falta de repasse, mães e funcionários de creches fazem protesto em frente ao Paço

Desde o início do ano, prefeitura deixa de fazer o pagamento de cerca de 50 entidades filantrópicas conveniadas 

Um grupo formado por mães, funcionários e professores de várias creches de Goiânia foram ao Paço Municipal na manhã desta segunda-feira (27/3) protestar contra falta de repasse da prefeitura de Goiânia às entidades filantrópicas que gerenciam as unidades educacionais em Goiânia.

Uma comissão formada por representantes da manifestação foi recebida pelo secretário de Governo, Samuel Almeida, que prometeu fazer o pagamento referente aos meses de janeiro e fevereiro ainda esta semana, mas não deu previsão para o pagamento da dívida deixada pela gestão passada, que pode ser parcelada. Além da crise econômica, que seria a principal causa para o atraso nos repasses, a prefeitura também justifica a suspensão de alguns pagamentos por irregularidades nos contratos.

Ao todo, são cerca de 100 creches de entidades conveniadas que prestam o serviço na capital. Destas, por volta de 50 reclamam de atrasos nos pagamentos. A vereadora Priscilla Tejota (PSD) acompanha o drama vivido pelas entidades e famílias que dependem das creches, que já começam a fechar as portas por falta de recursos. “Essas entidades salvam o poder público ao prestar esse serviço de maneira integral ou parcial. A média dos convênios é de cerca de R$ 185 por criança, ou seja, é um serviço muito barato. Imagina se a prefeitura tivesse que construir 100 creches hoje, seria impossível”.

Segundo a vereadora, algumas dessas entidades já fecharam as portas e outras podem paralisar as atividades ainda esta semana caso o pagamento não seja feito. Em alguns casos, a dívida se acumula desde novembro de 2016 e em outros, o pagamento não é feito desde janeiro deste ano.

“Temos relatos de mães que já não estão indo trabalhar ou perderam o emprego, porque não têm com quem deixar os filhos. Em outras unidades, os funcionários e professores tiram do próprio bolso para manter a creche aberta”, disse a vereadora.

A situação foi confirmada por Ruti Ferreira, diretora de umas das entidades que há mais tempo atua em Goiânia, a União das Pioneiras de Goiânia.

Ao Jornal Opção, ela contou que a crise nas creches conveniadas vai além da falta de pagamento. “Além do atraso, o montante do repasse não é atualizado há quatro anos, ou seja, é insuficiente para manter as creches. Reivindicamos também a melhora na merenda, precisamos de alimentos com mais qualidade e em maior quantidade. Toda essa falta de apoio é desmotivante. Não falamos em fechar as portas ou paralisar as atividades, mas o fato é que a situação está insustentável”.

A creche da União Pioneiras de Goiânia funciona há 35 anos em Goiânia. Atualmente, a sede no Jardim Novo Mundo atende 110 crianças de 1 a 6 anos em período integral, das 7 às 17 horas.

Na próxima terça-feira (28/3), representantes das entidades filantrópicas participarão da sessão plenária da Câmara Municipal de Goiânia para apresentar as demandas aos vereadores. Na semana passada, a situação das entidades conveniadas foi um dos temas discutidos pela Comissão de Educação da Casa, que produziu um documento com uma série de reivindicações ao prefeito Iris Rezende (PMDB) e ao secretário de Educação, Marcelo Costa.

Também foi aprovado em plenário um requerimento que obriga o secretário a comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre a situação da pasta, mas a data ainda não foi marcada.

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