Políticos do passado reagem à ascensão política de Alexandre Baldy

Tendo se tornado um político de dimensão nacional, com a possibilidade de disputar o governo de Goiás, o secretário desagrada ao passado que rejeita o presente construtivo

Alexandre Baldy e João Doria: aliança técnica e política | Foto: Reprodução

Não existe presente sem passado. Getúlio Vargas dificilmente teria chegado ao poder — via golpe de Estado —, em 1930, sem a capacidade de articulação de Oswaldo Aranha. Juscelino Kubitschek, antes de ser presidente da República, foi prefeito — nomeado — de Belo Horizonte. JK foi indicado para o cargo pelo interventor Benedito Valadares e pelo ditador Getúlio Vargas. Mauro Borges, governador de Goiás na primeira metade da década de 1960, teve no pai, Pedro Ludovico, o fundador de Goiânia, uma figura emblemática. O governador Ronaldo Caiado tem figuras inspiradoras na política, como seu avô, Totó Caiado, e os parentes Emival Caiado, Brasílio Caiado e Leonino Caiado. O último foi governador de Goiás indicado pela ditadura instalada no país em 1964 — não foi eleito, ao contrário de Ronaldo Caiado, pelo voto popular. Foi indicado pelo general Emilio Garrastazu Médici — da linha dura (seu governo devastou a esquerda e perseguiu democratas). Leonino Caiado, por sinal, fez um governo austero e eficiente. O fenômeno não é, porém, brasileiro — é mundial. Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, entre as décadas de 1930 e 1940, teve como antecedente Theodore Roosevelt (que explorou o Rio da Dúvida ao lado do marechal Cândido Rondon, no Brasil, na década de 1910), também presidente do Tio Sam. O maior político do século 20, Winston Churchill — o primeiro-ministro que moveu montanhas e removeu más vontades para derrotar o nazista Adolf Hitler —, inspirou-se no seu pai, Randolph Churchill, integrante do Parlamento britânico.

Leonino Caiado, governador de Goiás na ditadura, e Ronaldo Caiado, atual governador de Goiás | Fotos: Reproduções

Ninguém nasce e cresce só. Há sempre figuras inspiradoras. O secretário de Transportes do governo de São Paulo, Alexandre Baldy de Sant’Anna Braga, tem como figuras exemplares Marco Maciel — um dos mais importantes políticos liberais do país (foi vice-presidente da República, duas vezes, nos governos de Fernando Henrique Cardoso) e homem de  cultura invulgar —, seu pai, Joel Sant’Anna Braga (procurador aposentado do Ministério Público) e o empresário Marcelo Limírio, um self made man de rara competência (sabe-se que é mais fácil ir à Lua do que ser empresário no Brasil). Por influência do pai, formou-se em Direito. Mas, por entender que poderia contribuir mais com o país e com seu Estado, decidiu migrar para o ramo empresarial, o qual se dedicou com afinco, no município de Anápolis. Pode-se dizer que venceu primeiro no meio empresarial, ao qual era (e é) imensamente dedicado.

Ouve, agrega e lidera

Nas lides empresariais, o jovem aos poucos foi sendo percebido como líder nato, por sua capacidade de ouvir, agregar e liderar. O líder é uma espécie de “canal” que acolhe diferenças e as transforma numa espécie de síntese, representando os interesses de um segmento e, também, da sociedade.

Mauro Borges, Juscelino Kubitschek (que foi senador por Goiás) e Pedro Ludovico | Foto: Jornal Opção

Por ter se tornado líder — costuma-se sugerir que tem a paciência e a calma tanto de Marco Maciel quanto de Tancredo Neves —, Baldy se tornou secretário da Indústria e Comércio de Goiás, em 2011, aos 31 anos. Mesmo muito jovem, percebeu, de imediato, como funciona o capitalismo e a integração do mercado, ou seja, das empresas.

Quando atrai uma Mitsubishi, uma Perdigão e uma Caoa-Hyundai para Goiás, não é apenas o governo que ganha. Na verdade, ganham todos: empresas (porque são incentivadas, o que reduz seus custos de produção), os governos estadual e municipais (a arrecadação cresce) e os trabalhadores (em regra, os salários são pagos em dia e superam os do mercado local). Uma empresa como a Perdigão — do grupo BRF — colaborou e colabora para a formatação de uma poderosa cadeia produtiva em todo o Sudoeste de Goiás e contribuiu para atrair novos investimentos. Assim como a CAOA em Anápolis e a Mitsubishi em Catalão. Como secretário, Baldy atuou, como workaholic que é, para atrair várias empresas. Quando defende os incentivos fiscais, posicionando-se com firmeza — o que desagrada políticos e técnicos meramente fiscalistas —, o jovem sabe o que faz e diz. Em 30 anos, com incentivos fiscais — a partir de 1984, com o apoio do incentivo Fomentar, a Arisco se tornou uma gigante —, Goiás ganhou um parque industrial invejável e relativamente bem distribuído (Anápolis, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Mineiros, Catalão, Senador Canedo, Itumbiara, Trindade). Uma política fiscal com incentivos sob pressão, por vezes deixando de lado a questão da segurança jurídica, pode gerar uma desindustrialização em quatro anos. Baldy luta contra isto, quer dizer, batalha por Goiás, e não apenas pelas empresas.

Bem-sucedido na Secretaria da Indústria e Comércio, Baldy percebeu que, como político, poderia cooperar ainda mais para o crescimento econômico e para o desenvolvimento de Goiás. Disputou mandato de deputado estadual e foi eleito. Em Brasília, dedicou-se, com extremo interesse, à defesa do mercado e da sociedade. Criticaram-no por não ficar circulando pelas cidades, dando tapinhas nas costas dos eleitores, cabos eleitorais e líderes locais. Optou por ficar na capital, dedicando-se, em tempo integral, ao mandato. Ficando na capital da República, onde estão os recursos financeiros, pôde colaborar, de maneira decisiva, com o Estado e com os municípios de Goiás. Tanto que é conhecido no país como um ministro que foi, de fato, municipalista.

Alexandre Baldy e o presidente da Câmara dos Deputados: amigos e aliados | Foto: Reprodução/Instagram

Político de estatura nacional

Operador hábil no Parlamento, Baldy logo chamou a atenção de líderes nacionais, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. De quem se tornou amigo. Quando Michel Temer, do MDB, assumiu a Presidência da República, substituindo Dilma Rousseff, do PT, Baldy, deputado pelo PP, foi indicado para dirigir o Ministério das Cidades. Ele obteve o apoio do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, e do deputado Rodrigo Maia, do DEM (partido de Ronaldo Caiado). Frise-se: dois políticos nacionais hipotecaram apoio e Baldy se tornou ministro — sem determinação política ou parental referente a Goiás. Ali, surgia um político que, de Goiás, estava se tornando um político nacional.

Do governo de Michel Temer, alguns ministros saíram chamuscados. Baldy, pelo contrário, saiu consagrado. Porque, no lugar de meramente fazer política partidária, circulou por todo o Brasil fazendo e desbloqueando obras. Tornou-se “o” ministro, aquele que, não sendo burocrata — espírito que trouxe a iniciativa privada —, concluía obras que “insistiam” em não sair do papel. Falava-se, na época, que o goiano de Goiânia era “o ministro das soluções, e não dos problemas”. Políticos e empresários ressaltavam também o caráter empático do ministro.

Em 2018, poderia ter disputado mandato de deputado federal ou senador. Mas optou por ficar em Brasília, como ministro, e contribuiu para fortalecer o Progressistas em nível nacional (tanto que chegou a ser cotado para presidir o partido). Em Goiás, teve atuação forte na campanha de Daniel Vilela, que disputou o governo, e contribuiu para a vitória eleitoral de Vanderlan Cardoso (PP) para o Senado e de Adriano do Baldy (PP) para deputado federal. Em outros Estados, por ter se tornado um político nacional, também colaborou para a vitória de aliados.

Vanderlan Cardoso teve apoio de Alexandre Baldy na sua vitória para o Senado| Foto: Reprodução e Alexandre Baldy | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Self made man na política, quando deixou de ser ministro, em dezembro de 2018, começou a ser sondado por dois governadores para ocupar secretarias. O governador Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, tentou levar o garoto ponderado e, ao mesmo tempo, elétrico — um resolvedor — para sua equipe.

Baldy acabou compondo a equipe do governador de São Paulo, João Doria. Como secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Baldy conquistou os demais secretários e o gestor estadual. Tanto pela eficiência e presteza quanto pela lhaneza no trato pessoal. Há quem diga que nasceu para a diplomacia. O fato de pertencer à iniciativa privada, de saber que os problemas têm de ser resolvidos, para o governo e a sociedade avançarem, o tornam um executivo de rara eficiência. Ele não é um burocrata, daqueles que, no lugar de resolver, criam novos problemas. João Doria aprecia a maneira metódica, disciplinada e colaborativa de seu auxiliar.

O fato é que Baldy, atuando em Goiás, Brasília e São Paulo — no país —, cresceu e tem luz própria. Isto, no lugar de agradar a todos, desagrada, politicamente, possíveis adversários eleitorais no futuro. Em 2022, há a possibilidade de o jovem ser candidato a governador, senador e, até, a vice-presidente da República. Mas, quando o futuro chega cedo — está se falando de um garoto de 38 anos, competente e pronto para gerir um governo —, lutando para se tornar presente, no curto ou médio prazo, os homens do passado articulam para que não se fortaleça. Mas lutar contra o presente criativo e construtivo é uma guerra inglória e infrutífera.

Mestre do diálogo, agregador por natureza, Baldy por certo tem futuro político garantido. Para alguns, chegou longe demais — daí ter se tornado incômodo. Mas uma coisa é certa: quando um político é combatido, sobretudo com linguagem destemperada (por político manipulados por outro político), é sinal que não pertence ao futuro, e sim ao presente. O passado decerto não vai conseguir contê-lo. E detalhe: ao contrário de outros políticos, Baldy não precisou de parentes — de oligarquias regionais — para ascender na política local e nacional. Mas é grato àqueles que colaboraram, de maneira direta ou indireta, com sua ascensão política local e nacional. Ao mesmo tempo, não faz política com o objetivo de destruir pessoas. Porque se trata de um político construtivo.

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Dalmy Pedro

Esse Baldy é um dos políticos mais hábil e articulado que eu já vi falar. Parece que tem prazer em ver os outros ascenderem na política…vai elegendo todo mundo ao seu redor. Não entendo o Wilder não ter tido humildade pra permanecer ao lado dele…poderia estar voando alto hj também.