Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), de janeiro a março de 2022 foram registrados 9.232 casos de violência doméstica no estado

Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), de janeiro a março de 2022 foram registrados 9.232 casos de violência doméstica no estado. Os principais crimes registrados são contra a honra, lesão corporal e ameaças. Do total, 16 culminaram em feminicídio e 67 foram estupros.

Os dados a partir de abril não foram consolidados. Em março, último mês divulgado, três casos de feminicídio foram confirmados pela SSP-GO. 

Em 10 de março, a jovem Diana Souza de Urzêda, de 25 anos, foi encontrada morta dentro de um quarto de hotel, em Edealina, no sudoeste de Goiás. No dia 14, a maquiadora Tayná Pinheiro Duquis, de 26 anos, foi esfaqueada pelo companheiro com quem tinha uma filha de 10 meses, no centro de Goiás.

Dois dias depois, no dia 16, a diarista Joana Santos Souza, de 32 anos, foi encontrada com o corpo carbonizado em estado de decomposição, em Novo Gama, Entorno do Distrito Federal.

Políticas Públicas

A deputada estadual Delegada Adriana Accorsi (PT) afirmou que, apesar dos marcos no campo do combate à violência doméstica como delegacias e juizados especializados, ainda faltam políticas públicas para coibir casos. “Eu acredito que as políticas públicas de combate a essas violências em Goiás estão muito aquém do necessário. Acredito que há uma falha muito grande, tanto na prevenção, como no combate a essas violências. Não é à toa que Goiás tem um dos maiores índices que se agravaram profundamente com essa pandemia com aumento imenso de todos os tipos de violência”, disse. “Nós temos poucas delegacias de mulheres. Menos de 10% dos municípios de Goiás têm delegacias especializadas”, completou.

A delegada ressaltou que as políticas já criadas necessitam de expansão e chamou a atenção para a subnotificação das situações de violência. “Esses [números divulgados] são os casos que chegam até a polícia, porque a subnotificação é imensa. Conversando com as pessoas a gente vê o medo de procurar e denunciar, por causa da falta de acolhimento na delegacia e o medo de não ter um abrigo. Então a grande maioria não denuncia”, contou.

Dos projetos de autoria de Accorsi para prevenção e combate à violência doméstica, ela citou: a criação de vagas de emprego para mulheres vítimas de violência, divulgação do disque-denúncia em todos os lugares com grande circulação de pessoas, criação do fundo financeiro para combate da violência contra a mulher e divulgação da Lei Maria da Penha nas escolas.

Accorsi afirmou também que tem apoiado municípios com emendas parlamentares para criação de conselhos de direitos da mulher e centros de referência com rede de apoio, bem como trabalhado em emendas para construção de Salas Lilás – locais adequados para atendimento sensibilizado de mulheres vítimas de violência.