Política pode atrapalhar criação de novos campi da UFG

Discussão sobre quem é o “pai da criança” preocupa entidade de docentes. Tema será tratado em reunião da bancada goiana no Congresso Nacional no mês que vem

UFG de Catalão (foto) e de Rio Verde devem ser desmembradas | Reprodução/UFG

UFG de Catalão (foto) e de Rio Verde devem ser desmembradas | Reprodução/UFG

A criação de duas novas Universidades Federais de Goiás (UFG) nas regiões Sudeste e Sudoeste do estado pode ser travada por interesses políticos. Dias após a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério da Educação (MEC) manifestarem interesse no projeto, parlamentares goianos foram provocados a trabalhar no sentido de união. A intenção é que o processo transcorra sem amarras.

Recentemente representantes do Sindicato dos Docentes da UFG (Adufg) esteve em Brasília. Foram distribuídos ofícios aos 17 deputados federais e aos três senadores goianos no sentido de acelerar os trâmites.

Ao que parece, a iniciativa surtiu efeito: o assunto será colocado em discussão na próxima reunião da bancada dos parlamentares goianos no Congresso Nacional, liderada pelo deputado federal Jovair Arantes (PTB). O encontro está pré-agendado para a primeira quinzena de novembro. “Nunca tivemos problemas nas discussões de interesse para Goiás. Temos nos empenhado constantemente e trabalhamos para conseguir”, afirma o petebista ao Jornal Opção.

O parlamentar destaca que o assunto será tratado de acordo com a conveniência do que estiver em pauta. “O campus de Cidade Ocidental [no Entorno do Distrito Federal] está autorizado pelo MEC, por exemplo. E os recursos podem sair ainda em 2015 para iniciar o projeto e a obra.”

“Pai da criança”

Nesta semana, o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) afirmou em rede social que recebeu em seu gabinete o secretário de Ensino Superior (SESu) do MEC, Jesualdo Farias. “Trouxe boas notícias sobre nosso requerimento para a criação das universidade”, postou. E completou: “Meu pai, Maguito Vilela [ex-governador e atual prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB], foi um dos que batalhou pela criação das duas universidades quando era senador.” A declaração causou polêmica.

Flávio Alves da Silva, presidente da Adufg, ressalta que é preciso ação conjunta entre parlamentares e o governador Marconi Perillo (PSDB). “É preciso união, ele é forte, tem 14 deputados e dois senadores na base. A primeira vez que ligou para a presidente Dilma Rousseff [PT] o MEC fez o estudo de viabilidade de imediato. E aqui parece não estar havendo isso, os parlamentares sempre brigam”, diz. A iniciativa depende exclusivamente de projeto de lei de do governo federal.

Fora o embate político para saber quem será o “pai da criança”, o que pode prolongar a conclusão do projeto é a contratação de técnicos e professores. O MEC está levantando o quantitativo necessário. As unidades deverão ser criadas em Catalão e Jataí, onde as estruturas estão prontas, segundo o dirigente. Porém, se autorizada em 2015, será preciso esperar dois anos para sua implantação.

A expectativa é que o desmembramento dos campi nas duas cidades expandam as regiões universitárias, com estudantes vindos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A Adufg considera ainda que as unidades irão beneficiar as universidades da capital e do interior com maior agilidade nos processos. Além disso, dá o pontapé para iniciar o debate sobre o lançamento de mais um em Porangatu, Região Norte do estado.

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