Polícia prende quadrilha que desviou R$ 1 milhão de contas judiciais em Goiânia

Bacharéis em Direito ficavam na sala da OAB no Fórum de Goiânia e vasculhavam lixo para ter acesso a extratos de movimentação

Divulgação/Polícia Civil

Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil de Goiás apresentou nesta sexta-feira (4/11) uma organização criminosa responsável por um rombo de aproximadamente R$ 1 milhão em contas judiciais. O grupo agia há dois anos, junto ao Poder Judiciário da capital, falsificando alvarás. A Operação Mendacium foi deflagrada em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Barra do Garças (MT).

Os líderes do grupo são Ricardo B.R e Rondriander L. C., bacharéis em Direito e que atuavam como advogados para concretizar o ato criminoso. De acordo com o delegado Rômulo Figueredo Matos, responsável pelo caso, os suspeitos ficavam na sala da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Goiás (OAB-GO), no Fórum de Goiânia, onde descobriam as contas judiciais.

“Eles procuravam, literalmente, no lixo, os extratos de movimentação de processos na sala da OAB-GO”, afirma o titular. “Uma vez identificados estes processos, eles iam até a secretaria do Fórum e ali obtinham indevidamente senhas dos estagiários”, continua.

“Um deles, como já trabalhou no Poder Judiciário, sabia manusear o Sistema de Primeiro Grau (SPG) e, então, confeccionavam um alvará judicial falsificado com a troca dos nomes das partes envolvidas”, detalha. Por fim, o grupo ainda falsificava a assinatura do juiz.

As investigações tiveram início após denúncia do diretor do Foro da Comarca de Goiânia, Wilson da Silva Dias. “Tão logo obtivemos acesso a esses alvarás falsificados, nós passamos a investigar quem seriam as pessoas que estavam sendo beneficiadas com esse dinheiro subtraído indevidamente das contas judiciais”, afirma o delegado.

No total, seis pessoas estão envolvidas no esquema. Até agora, três já foram presas. Elas vão responder pelos crimes de falsificação de documento público, estelionato, falsidade ideológica, subtração ou inutilização de livro ou documento, e associação criminosa.

Ricardo e Rondriander já haviam sido presos pela Polícia Civil em abril deste ano pelos mesmos crimes. À época, os acusados filmaram uma ex-estagiária do Poder Judiciário digitando sua senha durante um atendimento, e usaram o código para substituir nomes das partes envolvidas nos processos, tendo acesso aos depósitos. O prejuízo havia sido de R$ 214 mil.

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