Imagens mostram colégio estadual depredado após desocupação

Fotos foram divulgadas pela PM, que encontrou na unidade janelas e armários quebrados, além de pichações. Secundaristas confirmam denúncia, mas se defendem

Foto: Divulgação Policia Militar

Foto: Divulgação Policia Militar

Depois da desocupação do Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus, no bairro da Vitória, localizado na região Noroeste de Goiânia, a Polícia Militar encontrou no local sinais de depredação. Segundo a PM, após os manifestantes terem sido retirados do local por pais de alunos da unidade, policiais entraram na escola e encontraram janelas e armários quebrados, além de bitucas de cigarro e pichações.

As fotos mostram ainda um extintor de incêndio sem a mangueira e equipamentos eletrônicos danificados. Em entrevista ao SBT, uma mulher que se identifica como Débora, mãe de um dos alunos da escola, confirma a depredação e diz que os manifestantes “quebraram” alguns objetos.

Procurados pelo Jornal Opção, os responsáveis pela página Secundaristas em Luta, que divulga ações e notícias da ocupação, confirmaram que a janela foi quebrada durante o período em que a manifestação ocorria, mas alegaram que ela seria reposta na quinta-feira (28), assim que chegasse a doação de um apoiador.

Segundo eles, a janela foi quebrada acidentalmente. “A janela é bem pequena e não temperada. Só de esbarrar ela quebrou”, disseram. Eles também confirmaram as bitucas de cigarro: “Sim, as bitucas de cigarros encontradas eram de alguns apoiadores que fumavam, porém, cigarro não é ilegal”.

As fotos da Polícia Militar também mostram lixo na unidade, mas os secundaristas disseram que, à exceção da janela, não depredaram nada. “Inclusive estávamos preparando uma horta, lavamos todo o colégio, e estávamos zelando do colégio uma vez que também é nosso”, rebateram.

Desocupação

A desocupação do colégio nesta segunda-feira (25/1) causou polêmica. A Policia Militar afirma que não participou da retirada dos manifestantes e que só foi até a unidade depois de ter sido chamada pela comunidade. Na entrevista, Débora confirmou a alegação dos policiais, dizendo que os pais só ligaram para a polícia por terem se sentido ameaçados.

“Chamamos, por segurança, temendo, nós pais, de ter alguém armado”, afirmou ela. “Nós pedimos a segurança pelo lado de fora, mas aqui dentro foram as minhas mãos e as mãos de pais, que querem os filhos estudando, que tiraram os desordeiros dessa escola”, garantiu.

Conforme notícia divulgada pelo Jornal Opção, cerca de dez pais entraram na unidade com o Conselho Tutelar e o diretor do colégio na esperança de que os ocupantes deixassem o local.

O objetivo dos pais com a expulsão dos manifestantes era que o ano letivo dos filhos tivesse início, já que a Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) afirmou que, enquanto as escolas estivessem ocupadas, os estudantes destas unidades não teriam aula. Os demais alunos da rede estadual de Educação voltaram das férias na última quarta-feira (20).

De acordo com os pais, apenas dois dos manifestantes eram alunos do Ismael Silva, os outros dez eram “desconhecidos”. Ainda segundo eles, três dos ocupantes que não estudam na unidade usavam tornozeleiras eletrônicas. Os pais também denunciaram a existência de “tráfico de drogas” no local.

Os Secundaristas contestaram as alegações, dizendo que a maior parte dos ocupantes era, na verdade, parte do corpo discente da unidade. “É mentira. A maioria era estudantes do próprio colégio, o restante era pessoas da comunidade em torno do colégio que apoiavam as ocupações”, alegaram. “A maioria esmagadora da ocupação era de pessoas entre 13 a 16 anos de idade”, completaram.

De acordo com os estudantes que respondem pelo movimento, a Policia participou da ação e teria agredido e “carregado com força os alunos para fora”. “A Polícia participou de todo o ato ajudando a protagonizar a desocupação ilegal”, argumentaram. Eles acusaram ainda que alguns dos pais que entraram na escola também teriam machucado os ocupantes: “A Polícia em nenhum momento impediu que os meninos fossem agredidos por pais”.

Em entrevista ao Jornal Opção, o Coronel Ricardo Mendes reiterou que a Polícia Militar não entrou na escola em momento algum durante a desocupação. “Até o presente momento não registramos nenhuma ocorrência envolvendo a Polícia Militar (pais, alunos ou manifestantes)”, disse ele.

Atropelamento

Outro ponto polêmico foi o atropelamento de um jovem de 22 anos. Os Secundaristas em Luta divulgaram no Facebook que, durante a suposta ação violenta da polícia, dois estudantes haviam sido atropelados na porta da escola: “Dois ocupantes foram atropelados na porta. E um dos estudantes que foi atropelado foi pro hospital com fratura exposta”, informava o post, sugerindo que ele havia sido vítima dos que queriam a desocupação.

A PM publicou um vídeo em que o homem atropelado, identificado como Guilherme, explica o ocorrido e diz que foi atingido, na verdade, por um carro de som que estava no local para falar sobre a ocupação. “Fui atropelado pelo ‘cara do som’, que veio para manifestar”, disse ele. “Quando eu montei na minha bicicleta, ele ligou o carro dele e atropelou. Fiquei preso nas grades. Machuquei meu pé e fui atendido pelo SAMU”, completou.

Confira as fotos tiradas pela Policia Militar após a desocupação:

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