Polícia Federal prende suposto grupo terrorista que planejava ataque na Olimpíada do Rio

Dez pessoas ligadas ao grupo terrorista Estado Islâmico planejavam ações terroristas. Este é o primeiro caso de prisões com base na Lei Antiterror no Brasil

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Ministro promete ação dura da polícia contra qualquer possibilidade de atentado terrorista | Foto: Divulgação

A Polícia Federal realizou a prisão de dez pessoas, em dez estados diferentes, todas ligadas ao Estado Islâmico, que preparavam ações terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam em agosto.

Em entrevista na manhã desta quinta-feira (21/7) em Brasília, o Ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, informou que os mandados de prisão foram expedidos mediante a Lei Antiterrorismo, que permite a prisão por atos preparatórios.

Segundo o ministro, o rastreamento e mapeamento que vinha sendo feito desde abril pela Polícia Federal em parceria com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), forças armadas e agências de informações internacionais, levou a desintegração da suposta célula terrorista. O grupo se comunicava exclusivamente por aplicativos de mensagens via internet com WhatsApp e Telegram.

Moraes esclareceu que o grupo passou de simples comentários sobre o grupo terrorista Estado Islâmico, inclusive exaltando os atentados em Orlando, nos Estados Unidos, e em Paris e em Nice, na França, para ações preparatórias para atentados no Brasil. Segundo o Ministro, na visão do grupo,o país passou a ser alvo pela grande presença de estrangeiros em função da realização dos Jogos Olímpicos.

A polícia só agiu a partir do momento em que,  vários deles realizaram uma espécie batismo pelo Estado Islâmico, que funcionaria como um juramento de lealdade. Depois disso, eles teriam iniciado atos preparatórios para que os membros iniciassem treinamento em artes marciais, manejo de armamento e um deles entrou em contato com um site de armas clandestinas do Paraguai e fez o pedido de um fuzil AK-47.

Segundo Moraes, não há informação de que ele teria conseguido adquirir a arma, mas fato de ter feito o pedido e a circulação de mensagens em preparação foram suficientes para que a polícia agisse de modo a coibir a ação.

Para Moraes, o grupo preso é desorganizado e a probabilidade de um atentado terrorista no Brasil é mínima. “É um assunto delicadíssimo e o trataremos com total transparência. Vamos divulgar as informações com responsabilidade para não causar pânico desnecessário e também com cuidado para não atrapalhar as investigações. A probabilidade de um atentado terrorista no Brasil é mínima, mas, dentro da possibilidade de qualquer ato, por mais insignificante que possa parecer, vamos agir da maneira mais dura possível”, declarou.

Justiça

As prisões foram autorizadas pela 14ª Vara Federal de Curitiba. Em nota, o juízo disse que a “Operação ‘Hashtag’, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (21), investiga possível participação de brasileiros em organização criminosa de alcance internacional, como uma célula do Estado Islâmico no país.

Foram expedidos 12 mandados de prisão temporária por 30 dias podendo ser prorrogados por mais 30. Informações obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos”.

Segundo o juízo, os artigos 3º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que trata sobre terrorismo prevê como crime: “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista” e artigo 5º: “Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”.

“Para assegurar o êxito da operação e eventual realização de novas fases, os nomes dos presos, atualmente sob custódia da Polícia Federal, não serão divulgados neste momento. O processo tramita em segredo de Justiça”, diz a nota. (Agência Brasil)

Michel Temer

O presidente interino Michel Temer foi informado na última quarta-feira (20/7) sobre a realização da operação da Polícia Federal.

Na manhã desta quinta (21), Temer se reuniu no Palácio do Planalto com os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen; e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra; para acompanhar a operação antiterrorista, com cooperação de diversas agências internacionais de inteligência.(Agência Brasil)

 

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