Polícia fecha clínica de reabilitação em Goiânia que torturava internos

Estabelecimento não tinha condições de salubridade para funcionamento e medicava internos sem acompanhamento de equipe de saúde adequada

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A Polícia Civil de Goiás interditou as clínicas de tratamento de dependentes químicos Renascer e Nova Vida, em Goiânia, em operação que constatou práticas de torturas físicas e psicológicas contra internos e condições insalubres no local.

O balanço da chamada “Operação Resgate” foi divulgado nesta quinta-feira (1º/6) pela assessoria da PC.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Eduardo Gomes, foi constatado que os internos sofriam com o uso de choques elétricos, castigos em quartos escuros e ainda agressões com cassetetes de madeira.

“Tudo isso em uma clínica particular. Não tinha nada de filantrópico. Era uma clínica paga e muito bem paga. As famílias eram enganadas, pagando mensalidades caras, de R$ 1 mil a R$ 2 mil, para terem seus entes internados em um local sem a mínima condição e preparo para prestar o serviço a que se propunham”, afirmou o delegado ao Jornal Opção.

As clínicas Renascer, que atendia pacientes do sexo masculino, e Nova Vida, para mulheres, pertencem a uma mesma família. O pai, responsável pela Renascer não foi encontrado pela polícia, mas o filho, responsável pela Nova Vida e a mãe, foram presos em flagrante, autuados pelos crimes de cárcere privado e organização criminosa.

Foram identificados no local, cerca de 55 internos de ambos o sexos, sendo que 90% estava no local de forma ilegal, já que foram internados compulsoriamente em local sem autorização para tanto. Também foi identificada a administração de medicamentos de forma irregular.

Segundo relato do delegado Eduardo Gomes, apenas uma psicóloga estava no local. Não tinha médicos, enfermeiros e na maior parte do tempo, os internos ficavam por conta própria e faziam trabalho forçado. “Eles poderiam funcionar como uma unidade terapêutica, porém, jamais, fazer internações compulsórias ou ministrar medicamentos”.

A ação em conjunto com a vigilância sanitária e a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) interditou as unidades e deu o encaminhamento devido às pessoas que estavam internadas no local.

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