A Polícia Civil de Goiás (PCGO) desencadeou, nesta quinta-feira, 27, a Operação Tesouro Desviado para desarticular um esquema de fraude eletrônica que desviou aproximadamente R$ 2,6 milhões das contas oficiais da Prefeitura de Nazário, em Goiás.

De acordo com as investigações, os responsáveis aplicaram um método de engenharia social altamente elaborado, se passando por representantes da Caixa Econômica Federal para enganar servidores públicos e obter acesso aos dados bancários do município. 

A ação, coordenada pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) da 11ª Delegacia Regional de Formosa, contou ainda com o compartilhamento de informações de unidades policiais de Trindade e Nazário, permitindo o rastreamento das movimentações financeiras e a identificação dos primeiros envolvidos.

Esquema usou engenharia social e transferências pulverizadas

Segundo a corporação, a fraude teve início após a constatação de dezenas de transferências irregulares para contas de pessoas físicas e jurídicas espalhadas por diversos estados do país. Os golpistas utilizaram estratégias de convencimento para se passarem por funcionários da Caixa, induzindo servidores ao erro e obtendo acesso a senhas, tokens e informações sigilosas.

Em entrevista ao Jornal Opção, o delegado responsável pelo caso, Yasser Yassine, explicou como o golpe começou. Ele relatou que o secretário de Finanças de Nazário foi enganado por uma ligação telefônica. “Ele recebeu uma ligação de uma pessoa se passando como funcionário da caixa. Essa pessoa disse que precisava fazer uma atualização na conta. Aí ele foi passando as informações e caiu no golpe. Então foi assim que eles tiveram acesso a esses dados da prefeitura.”

O delegado também afirmou que o secretário já foi ouvido e que não há indícios, até o momento, de que ele tivesse qualquer vínculo com os fraudadores. O acesso dos suspeitos aos extratos bancários fornecidos pelo servidor foi determinante para a investigação inicial.

A partir dos dados bancários e do rastreamento das movimentações financeiras, a Polícia Civil conseguiu identificar os dois primeiros envolvidos. “A partir daí a gente conseguiu chegar nessas duas pessoas de imediato”, explicou Yassine.

No entanto, o delegado destacou que o número de beneficiários é significativamente maior. “Foram mais de 30 pessoas. Só que a gente ainda está… O crime aconteceu ontem, né? Então não deu tempo ainda de a gente chegar em todo mundo.”

Ainda conforme o delegado, o dinheiro foi rapidamente pulverizado, o que dificulta o bloqueio imediato dos valores. “Eu acho um pouco provável que a polícia consiga recuperar o dinheiro em si. Mas ela vai recuperar de outras formas aprendendo casa, carro, objetos de valores.”

Operação em Formosa resultou em prisões e apreensão de provas

Durante as diligências realizadas nesta quinta-feira, os policiais cumpriram as primeiras prisões em flagrante. Foram detidos Alberto Farias de Sousa, de 44 anos, apontado como um dos articuladores do esquema, e Tomaz Victor, de 23 anos, identificado como intermediário na estrutura criminosa.

A operação também recolheu celulares, documentos e outros materiais que reforçam a dinâmica da fraude. A polícia acredita que novas informações obtidas com a análise dos aparelhos apreendidos podem revelar outros participantes e ampliar o alcance da investigação.

Alberto foi autuado por estelionato qualificado e associação criminosa. Já Tomaz responderá por associação criminosa.

Organização criminosa pode atuar em vários estados

O delegado Yasser Yassine afirmou que o grupo pode integrar uma organização maior, com atuação em outros estados. “Eu tenho certeza que a gente vai conseguir identificar outras pessoas em outros estados.”

Contudo, ele preferiu não revelar quais unidades da federação já estão sob análise para evitar risco de fuga. O delegado destacou ainda que golpes semelhantes têm sido aplicados contra outros órgãos públicos em diferentes municípios pelo país.

“Isso é super comum. […] A vítima acaba informando a senha do telefone, token e tudo e acaba caindo em um golpe.”

O GEIC trabalha agora na análise dos aparelhos celulares apreendidos e na verificação dos registros bancários para identificar os beneficiários finais do dinheiro. Yassine afirmou que muitas novas informações surgiram apenas no dia anterior à operação e que outros desdobramentos deverão ocorrer. 

“A gente vai analisar todas as informações que a gente tem no presente momento, porque ontem nós descobrimos muitas coisas novas.” O delegado também adiantou que a investigação terá outras fases. “Aí depois, possivelmente, deve ter outras etapas.”

Para o delegado, fraudes eletrônicas contra órgãos públicos causam impacto direto na população e exigem resposta imediata das autoridades. “Fraudes eletrônicas contra o poder público são crimes que afetam diretamente o cidadão. Nosso trabalho é garantir que quem tenta lucrar com o prejuízo coletivo seja identificado, responsabilizado e impedido de continuar atuando.”

Justificativa para divulgação de imagem de suspeitos:

Tendo em vista a portaria 547/2021 da DGPC e considerando que a apresentação da imagem de pessoas presas ou investigadas, em determinadas situações, pode contribuir para o aparecimento de novos elementos de informação, notadamente quando seu reconhecimento pela população possibilite a escorreita apuração dos fatos, com o surgimento de novas vítimas e testemunhas, a Polícia Civil de Goiás autoriza a divulgação da imagem do indiciado.

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