“PMDB não merecia o que recebeu do Partido dos Trabalhadores”

Mesmo com gritos de “prefeito, prefeito, prefeito” e “Iris de novo, o prefeito do povo”, peemedebista continua a negar que o assunto pré-candidatura esteja decidido

Mesmo na liderança das pesquisas de intenção de votos, Iris Rezende (PMDB) repete que ainda não é hora de decidir nada | Foto: Iris Rezende Grupo/Facebook

Mesmo na liderança das pesquisas de intenção de votos, Iris Rezende (PMDB) repete que ainda não é hora de decidir nada | Foto: Iris Rezende Grupo/Facebook

“Iris de novo, o prefeito do povo.” Essa era uma das frases puxadas em coro pelas galerias e plenário, repletos de convidados e familiares dos 60 homenageados, que receberam diplomas de honra ao mérito por serviços prestados ao meio ambiente em Goiânia. A realização lembra o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no domingo (5/6).

Os gritos eram direcionados ao ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), que, aos 82 anos, aparece com 27,4% das intenções de votos na pesquisa Rede Record/Instituto Paraná e 24,8% na Serpes/O Popular em primeiro lugar, com o deputado federal Delegado Waldir (PR) empatado na primeira (27,4%) e em segundo lugar na outra (22,4%).

Ao discursas no plenário da Câmara Municipal de Goiânia na noite terça-feira (7/6), Iris teve seu nome aplaudido com mais entusiasmo do que todos os outros 59 homenageados pelo vereadores Paulinho Graus (PDT), que escolheu 14 pessoas, e Anselmo Pereira (PSDB), presidente da Casa, responsável por 46 homenagens. “Prefeito, prefeito, prefeito” foi o coro que se ouviu por várias vezes durante a sessão solene de hoje.

Mesmo assim, ao ser entrevistado pelo Jornal Opção na chegada ao Legislativo goianiense, Iris Rezende negou que tenha feito qualquer declaração sobre a possibilidade de ser ou não pré-candidato a prefeito pela capital. “Você acha que eu tenho o direito de pensar em candidatura para prefeito enquanto os destinos do Brasil estão em jogo?”

Apesar de defender, de forma repetida, que sua preocupação agora é com o “quadro político nacional” e as crises econômica e política pelas quais passam o País, Iris, que preferiu afirmar que “tudo tem a sua hora, o seu tempo”, defendeu a importância de seu nome para Goiânia.

“Eu entendo que, como homem público, eu dei o meu recado e bem dado, modéstia a parte, como goianiense, como goiano e até como brasileiro. Porque tudo aquilo que eu desempenhei na área da administração pública eu fiz com amor, com ideal, com espírito público, com respeito a opinião”, declarou.

Na conversa com o Jornal Opção, Iris comentou o racha entre PMDB e PT na capital, as doações que recebeu do presidente interino Michel Temer (PMDB) na campanha a governador em 2014 que teriam vindo de recursos de empreiteiras investigadas pela Lava Jato e qual é a situação do partido hoje para apresentar um nome para substituí-lo na disputa caso isso seja necessário. Leia abaixo a entrevista na íntegra.

Ao lado dos vereadors Anselmo Pereira (PSDB), Célia Valadão (PMDB) e Paulinho Graus (PDT), Iris recebe seu diploma do mérito ambiental | Foto: Iris Rezende Grupo/Facebook

Ao lado dos vereadors Anselmo Pereira (PSDB), Célia Valadão (PMDB) e Paulinho Graus (PDT), Iris recebe seu diploma do mérito ambiental | Foto: Iris Rezende Grupo/Facebook

Entrevista | Iris Rezende

Ficou a dúvida, conversando com alguns filiados do PMDB hoje, se o senhor é mesmo o pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo partido. O senhor é ou não é pré-candidato a prefeito?

Olha. Há algum tempo eu tenho voltado as minhas atenções para o quadro político nacional. Eu disse que, em um momento como esse, você acha que tenho o direito de pensar em candidatura para prefeito enquanto os destinos do Brasil estão em jogo? Nós não sabemos o que será deste País daqui 15 dias, daqui 30 dias, daqui a um tempo. Bem. Tudo tem a sua hora, tudo tem o seu tempo.

Eu entendo que, como homem público, dei meu recado e bem dado, modéstia a parte, como goianiense, como goiano e até como brasileiro. Porque tudo aquilo que eu desempenhei na área da administração pública eu fiz com amor, com ideal, com espírito público, com respeito à opinião.

Eu nunca tirei proveito, quer direta ou indiretamente, das funções que Deus e o povo colocaram em minhas mãos. Nunca. De forma que eu, enquanto tiver força, estarei ao menos aí torcendo para que este País, este Estado e esta cidade tenham administradores à altura de seus sonhos.

O senhor disse que, pelo momento de crise política, econômica, ética e moral do País, ainda não é o momento para se falar em pré-candidatura, mas como o senhor recebeu as duas primeiras pesquisas de intenção de votos que colocam o senhor e o Delegado Waldir (PR) os maiores porcentuais para as eleições de prefeito em Goiânia?

Eu fiquei realmente gratificado. Porque ninguém é capaz dizer assim “o Iris insinuou para mim que é candidato”. Ninguém é capaz de dizer. E faz uma pesquisa e o Iris está lá em primeiro lugar, eu tenho que me curvar para esse povo, para Goiânia e agradecer.

Uma publicação nacional (portal UOL) soltou que o senhor, mesmo que de forma declarada na campanha, teria recebido em 2014 R$ 1,1 milhão do presidente interino Michel Temer (PMDB), na posição de presidente nacional do partido, vindo de recursos de duas empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. No caso da chapa Dilma Rousseff (PT) e Temer, há a denúncia em análise no TSE de que isso seria abuso de poder econômico. Há algum problemas nessas doações que o senhor recebeu?

Não. Eu quando candidato recebi dinheiro do Diretório Nacional do partido. Vieram os recursos todos oficialmente. Não tem relação minha com empresa, com quem quer que seja.

Se o senhor não for o pré-candidato, o PMDB tem algum nome trabalhado para apresentar no lugar do senhor ou o PMDB não teria outra opção para apresentar para concorrer ao cargo de prefeito?

O PMDB tem muitos jovens aí que estão despontando como líderes, deputados estaduais, vereadores. Isso não falta. Quando me candidatei a vereador em Goiânia, tinha 24 anos. Fui eleito prefeito com 31. Fiquei na Câmara quatro anos, três anos na Assembleia, no oitavo ano eu era eleito prefeito jovem, com 31 anos.

Como que o senhor avalia o desligamento do PT e do PMDB em Goiânia, que foi aliança que colocou Paulo Garcia (PT) no cargo de prefeito e deu a possibilidade de reeleição do prefeito?

Eu acho que essa pergunta deveria ser dirigida ao prefeito, viu? Eu até hoje não quis nem discutir.

Mas o senhor não quer nem comentar o fim dessa aliança?

Não. Eu acho que o PMDB não merecia o que recebeu do Partido dos Trabalhadores, que foi apoiado por várias vezes para presidente e posteriormente para prefeito. De forma que quem tem que dar explicação é quem tomou a atitude de se distanciar. Nós não nos distanciamos de ninguém. Nós não estávamos com o poder.

O peemedebista foi o mais aplaudido e procurado para tirar fotos ao final do evento | Foto: Augusto Diniz

O peemedebista foi o mais aplaudido e procurado para tirar fotos ao final do evento | Foto: Augusto Diniz

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.