PMDB goiano não tem consenso quanto à expulsão de dissidentes

Cúpula do partido não chegou a consenso sobre a expulsão de dissidentes. Simpatizante de Marconi Perillo (PSDB) diz que apoio ao tucano nessas eleições serviu como alerta para a legenda, que estaria “detonada”

Frederico Jayme, Robledo Rezende e Júnior Friboi: mirados pelo PMDB | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Jayme (à esquerda), Robledo Rezende e Júnior Friboi: mirados para serem expulsos do PMDB | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O PMDB goiano busca novos caminhos após a quinta derrota seguida nas eleições ao governo estadual, a diminuição de bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Pretende ainda reatar os nós que restaram da divisão interna depois do pleito e amenizar os desgastes eleitorais, como o apoio de peemedebistas históricos à reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB). Porém, em reunião que se esperava alguma resposta, a executiva acabou por não decidir em nada o destino da legenda.

Dois pontos se destacaram no encontro: o pedido de afastamento da deputada federal Íris de Araújo da cúpula e o anúncio de que as análises sobre as possíveis expulsões dos infiéis deverão ser discutidas no primeiro semestre de 2015.

O advogado Robledo Rezende afirmou que aqueles que pedem sua expulsão, de Júnior Friboi, de Frederico Jayme e de outros filiados que atuaram em prol da eleição do atual governador, não têm autoridade para tal. “Não tem legitimidade moral para fazer isso. O [deputado federal] Sandro Mabel apoiou abertamente e contribuiu financeiramente para a eleição de um deputado federal [Alexandre Baldy, de Anápolis] do PSDB nesta última eleição”, relembrou.

Sandro Mabel confirmou em entrevista ao Jornal Opção na edição 2037 que apoiou o ex-secretário de Indústria e Comércio do Estado (SIC). “Não vejo isso de partido, mesmo porque as minhas bases nunca olharam se eu era do PMDB e não era tucano. Metade de minha base é tucana, então estou passando para os tucanos o que é dos tucanos e que eu não passaria para o PMDB”, relatou.

Robledo citou ainda José Nelto, eleito para a Assembleia Legislativa que, segundo o advogado, teria apoiado o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) no segundo turno para presidente da República. No entanto, o neoeleito, defensor de Iris Rezende, negou a possibilidade. “No primeiro turno, votei no Zé Maria [PSTU], e anulei meu voto no segundo”, disse o irista.

Robledo Rezende sugere que o partido em que está filiado deve “criar juízo”. “O PMDB deve recomeçar, por meio do diálogo, com seriedade”, avaliou. Conforme disse ao Jornal Opção Online, sua atuação, de Frederico Jayme, de Júnior Friboi e de prefeitos de oposição na campanha de Marconi Perillo em 2014 foi uma forma de contribuir para que o partido repensasse a situação da sigla. “Só assim [percebemos que] o PMDB pararia para pensar que estava detonado e que precisava recomeçar.”

Na opinião de José Nelto, as falas do dissidente não merecem ser comentadas. Na visão dele, não há demora da cúpula em dar uma resposta aos peemedebistas rebeldes. “Nada deve ser feito precipitadamente. A partir da semana que vem, estarei protocolando a expulsão dos dissidentes do partido, começando pelo Júnior Friboi. Depois, entrarão na lista prefeitos e vereadores [que ajudaram Marconi Perillo], fazendo a dissolução de vários diretórios no interior. Gente que está no partido há 30 anos e faz negociata com o partido. É preciso intervenção”, apontou.

De acordo com o peemedebista, Júnior Friboi foi infiel até na doação de dinheiro na campanha eleitoral. “Doou uma mixaria para o [deputado federal reeleito] Pedro Chaves e Daniel Vilela [deputado estadual eleito para a Câmara dos Deputados]. E o bife grande ficou para Roberto Balestra [reeleito ao Congresso pelo PP]”, criticou.

O vereador por Goiânia Mizair Lemes Júnior, presidente do diretório metropolitano, analisou que a sigla deve dar algum tipo de resposta para os infiéis. “[Os dissidentes peemedebistas] Não abraçaram nosso projeto ao governo estadual. São filiados, usam o nome e nem participam das discussões internas. Quando chega a época da eleição, algumas pessoas, como o Frederico Jayme, usam o PMDB para fazer todo esse controle.”

Ele concorda com José Nelto: ainda está em tempo de ser feita a reflexão sobre a escolha de alguns filiados em apoiar um peessedebista ao governo de Goiás. “Porque agora não vai ter nenhum momento decisivo, como as eleições internas. O que for preciso fazer, tem que ser feito com calma e tranquilidade”, argumentou, sem indicar que tipo de decisão deveria ser aplicada.

Na reunião de segunda-feira (10), ficou definido que as principais discussões para o futuro da legenda ocorrerão em 2015, após a eleição para a formação da nova executiva da sigla. Deputado estadual e presidente da sigla, Samuel Belchior adiantou que não permanecerá à frente do PMDB goiano e que questões como a expulsão de “traidores” serão resolvidas após a formação de uma nova diretoria, prevista para ocorrer no primeiro semestre do ano que vem. Ainda assim, quem ficará a cargo de fazer os julgamentos será o conselho de ética, que também passará por completa reformulação.

Peemedebista mais enfático contra Iris Rezende na campanha eleitoral, o ex-deputado estadual Frederico Jayme disse que não ficou a par da reunião e precisava se inteirar para comentar o caso. A reportagem entrou em contato com os deputados federais Sandro Mabel e Pedro Chaves e o empresário Júnior Friboi, mas até o fechamento da matéria as ligações não foram retornadas.

Afastamento

Os peemedebistas consultados pelo Jornal Opção Online ressaltaram que a decisão de Dona Íris em se afastar da cúpula do partido foi pessoal e que deve ser respeitada. No entanto, não souberam detalhar a motivação. Para José Nelto, o PMDB não perde forças com a saída dela da executiva, pois o partido está passando por um processo de renovação. Ele acredita que a colega irá se dedicar à Fundação Ulysses Guimarães, da qual é presidente.

Para Mizair Lemes Júnior, o partido não perde robustez com a ausência de Dona Íris. “O PMDB está tranquilo, vamos ter candidato à prefeitura da capital e vamos ganhar. Ainda é precoce para fazer qualquer tipo de analogia, mas eu defendo a candidatura de Iris Rezende”, opinou.

Derrotada na disputa pelo cargo a deputada federal, ela solicitou durante a reunião de ontem o seu afastamento, mas depois falou em renúncia. Como o pedido não foi protocolado, não se sabe se sua ausência nas definições partidárias será permanente ou temporária.

Aos jornalistas, a parlamentar não quis dar detalhes do motivo do pedido. Disse apenas que está “em outro momento da vida”. Questionada sobre qual pode teria sido a razão de sua derrota nas urnas, a deputada deu uma risada antes de ir embora e proferiu uma única frase em resposta: “Não me faça responder esse tipo de coisa.” Hoje, o Jornal Opção Online tentou contato com Dona Íris, mas as ligações não foram atendidas.

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Almir Ferraz

O Pmdb para ter credibilidade em termos de fidelidade partidaria tem que aprender com o PT. Vale lembrar que os primeiros a desobedecer o partido foram seus dirigentes. É preciso voltar a alguns dias antes da escolha do candidato a governador. Digo escolha porque o candidato se negava a disputar a convenção de seu partido e mais, caso não fosse o escolhido deixou a imprensa divulgar que cruzaria os braços. Nenhum dirigente do partido falou em advertir ou mesmo punir o Sr. Iris ou a dona Iris. Então o que transparece é quão e o partido não é democrático. As… Leia mais