Plano Diretor: embate entre moradores de bairros tradicionais e vereadores continua

Buzinaço de moradores do setor Jaó e Sul na entrada da Câmara Municipal marcou a realização de audiência pública

Vereador paulo Magalhães e moradores do Jaó em ato na porta da Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Reprodução

Na tarde desta quinta-feira, 20, moradores dos setores Jaó e Sul realizaram, na entrada da Câmara Municipal, um buzinaço contra as emendas 11,15 e 16 do projeto do novo Plano Diretor. Durante a tarde houve audiência pública com os moradores.

De autoria dos vereadores Anselmo Pereira (MDB) e Andrey Azeredo (MDB), as emendas tratam do adensamento básico, propondo maior aproveitamento dos terrenos, fora de onde há gabarito comum, construindo mais em menos espaço. Também a altura dos edifícios, que na emenda passa a autorizar prédios mais altos do que atualmente em espaços menores.

“As sugestões de emenda são resultados dos trabalhos feitos na Comissão de Ordenamento Territorial e não quer dizer que estarão no relatório final do vereador Cabo Senna (Patriota). Acho que essa articulação política, esse diálogo deve ser feito com o relator, porque ele é quem pode ou não acatar essas sugestões”, afirmou o vereador Lucas Kitão (PSL).

Entre as reclamações dos moradores, também está a obra de duplicação da Rua da Divisa e Avenida João Leite, que inclui terraplanagem, pavimentação, sinalização e construção de galerias pluviais. Alguns moradores do Jaó são contra a obra, pois alegam que não há estudo do impacto ambiental, além de aproximar do bairro residencial um trânsito mais intenso.

Já no entendimento da prefeitura, a obra irá melhorar a infraestrutura, dando maior fluxo de mobilidade aos veículos que transitam pelo local. A obra também contempla a elaboração de estudos de tráfego da região e impactos na vizinhança, de acordo com o projeto.

“Eles alegam que há nascentes no local. É claro que vamos preservar as nascentes. É importante isso, especialmente no momento que estamos passando de escassez de água” afirmou Cabo Senna , relator do projeto do Plano Diretor.

“A Rua da Divisa engarrafa totalmente. Se duplicar, é claro que vai melhorar e dar um fluxo maior àquela região. A preocupação deles é a questão do olho d’água. É claro que os técnicos da prefeitura farão de maneira que fique preservada a nascente”, disse.

Para ele, as demandas dos representantes são pontuais e podem ser resolvidas por meio de diálogo nas audiências públicas. “Não precisa de briga, de buzinaço, nada disso. Quem quiser pode me ligar. Estou aberto ao diálogo. As audiências públicas também servem para isso, para dialogar”, falou o relator.

Vereador Paulo Magalhães e moradores do Jaó em ato na porta da Câmara Municipal de Goiânia | Vídeo: Reprodução

Vamos acabar perdendo nascente

Na avaliação dos moradores do Jaó, o ato foi considerado extremamente positivo e fez “pressão” sobre os vereadores. “O setor Sul e Marista já apresentaram suas propostas e vamos entregar as nossas nesta sexta”, disse a presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Adriana Reis Dourado.

Adriana explica que os moradores do Jaó querem a manutenção de limite de altura de 9m que é o que já é aplicado hoje no bairro, enquanto uma emenda quer aumentar o limite para 11m. A mudança possibilita a construção de edificações de 3 andares. Para os moradores, o maior adensamento não foi objeto de qualquer estudo técnico, ou de consulta à comunidade.

“Queremos também que a Rua da Divisa seja reclassificada como via local pois consta hoje como via coletora e estão querendo reclassificá-la como corredor estratégico. Essa mudança permite a construção de 36m de caixa de via. Mas a 5m da via atua, que hoje tem 7m, existe uma nascente brotando água o tempo todo”, explica a moradora, ao enfatizar que o córrego Jaó abastece o Rio Meia Ponte. “Vamos acabar perdendo essa nascente”, encerra.

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