PL de Bolsonaro cresce no Centro-Oeste, com aposta em força do agronegócio

Partido do presidente saiu de três para 15 representantes nas Assembleias estaduais

O PL de Jair Bolsonaro foi o partido com maior crescimento nas casas legislativas do Centro-Oeste, após o fim da janela partidária. O maior destaque fica para a evolução em Goiás, onde o partido não tinha nenhum representante e chegou a cinco. O aumento da bancada reflete um forte investimento na proximidade com lideranças do agronegócio, principal força econômica dos estados da região. Após o fechamento da janela, no início de abril, o PL tornou-se a segunda maior bancada da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), ao lado do MDB, atrás somente do União Brasil, do governador Ronaldo Caiado. Filiaram-se à legenda os deputados estaduais Cláudio Meirelles, delegado Eduardo Prado, Paulo Cézar Martins, Major Araújo e Paulo Trabalho. Na Câmara Federal, a representação de Goiás pela leganda saltou de um – com Madga Mofatto – para três, com as entradas de Professor Alcides e Vitor Hugo, pré-candidato ao governo.

A aproximação com o agronegócio é uma das principais apostas do projeto de reeleição de Bolsonaro, que reconhece a força que o setor teve na disputa eleitoral de 2018. Em Goiás, o presidente garantiu a vitória nas urnas, com 65,52% dos votos válidos. Agora, segundo pesquisas, nenhum dos candidatos aparece com vantagem suficiente para ser considerado favorito. Por outro lado, o presidente desponta como vitorioso em todas as outras unidades do Centro-Oeste: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Assim como aqui, no Mato Grosso o PL também não tinha deputados estaduais. Agora, com três, tornou-se o maior partido da Assembleia local. No Mato Grosso do Sul, o partido também chegou a três, mas já tinha um eleito. Já no Distrito Federal, o PL também tornou-se a maior bancada, com dois novos filiados e um total de quatro representantes. Com as mudanças, o PL saiu de apenas três deputados para 15 em todo o Centro-Oeste.

Não por coincidência, o peso do agronegócio no PIB da região que viu o crescimento do partido presidente pode ultrapassar 80%, se considerada toda a cadeia industrial, com inclusão de serviços, exportação do setor, entre outros. Em 2021, o agronegócio alcançou participação de 27,4% no PIB brasileiro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). Em Goiás, a estimativa é de crescimento de 4,5% em comparação com 2019, antes da pandemia. Com isso, o Estado tem o terceiro melhor índice de crescimento do país, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (4,9%) e Tocantins (4,7%).

Relação abalada

O bom relacionamento com o agro, no entanto, nem sempre foi mantido ao longo da gestão bolsonarista. Em dezembro do ano passado, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), João Martins, chegou a afirmar que o apoio a Bolsonaro ocorreu por ‘questão de momento’, por razões de ‘diálogo franco, aberto e fácil’. O apoio, então, poderia diminuir a partir do apontamento de problemas no atendimento das reivindicações do setor no governo.

No início do ano, alas mais pragmáticas do setor, discutiram alternativas depois que tensões alimentadas com o governo Chinês, o avanço do desmatamento e a resistência à venda de terras para estrangeiros preocuparam lideranças da agroindústria. Na época, representantes do setor trabalharam o nome de Eduardo Leite (PSDB) como possível candidato do agro. Leite, no entanto, deve dar lugar ao ex-governador de São Paulo João Doria na disputa presidencial.

Outros representantes do agro sinalizaram aproximação à base do ex-presidente e pré-candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT). Em janeiro desse ano, empresários do agronegócio, deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária e nomes ligados à Confederação Nacional da Agricultura se reuniram com Lula e apresentaram queixas a respeito do trabalho de Bolsonaro e também destacaram a má relação com a China, principal cliente do Brasil.

Reaproximação

Assim como Lula, Bolsonaro também começou o ano tentando reconciliação com o agronegócio. Desde janeiro, o presidente tem aproveitado variadas oportunidades para fazer acenos ao setor. Em janeiro, durante lançamento do Circuito Agro — Etapa 2022, o presidente destacou a atuação do agro como locomotiva da economia e ainda chamou atenção para o combate ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmando que o grupo teve ação “praticamente anulada” no país, desde 2019.

No início de abril, Bolsonaro declarou que vetou a Lei Paulo Gustavo, que destinaria R$ 3,9 bilhões aos estados e municípios para reduzir impactos da pandemia na Cultura, para garantir recursos para o agronegócio. “Vetei porque, inclusive, estamos trabalhando aqui, precisando de R$ 2 bilhões para as Santas Casas e R$ 3 bilhões mais ou menos para a gente acertar o final do agronegócio dado às secas e outros problemas que nós tivemos”, declarou.

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