Pit-Dogs têm mais de 50% de perda no faturamento por causa da pandemia

Apesar do relaxamento, tradicionais trailers de lanche ainda enfrentam dificuldades para alavancar número de vendas

Sanduíche de pit dog: paixão goianiense | Foto: Mayara Carvalho/ Jornal Opção

Mesmo com o afrouxamento das medidas de enfrentamento ao coronavírus (Covid-19) em Goiás, um importante segmento da economia goiana segue fortemente impactado: os Pit-Dogs. As vendas desses estabelecimentos caíram mais de 50% ao do último semestre e, apesar das mudanças trazidas pelos últimos dias, ainda há aqueles que lutam pela sobrevivência de seus negócios.

“Aqueles que já contavam com um serviço de entrega delivery, seja por um motoboy ou por aplicativos, foram os que se sobressaíram. No entanto, apesar das facilidades trazidas pela tecnologia, o panorama geral nos mostra mais de 50% de redução nas vendas”, explicou o presidente do Sindicato dos Pit Dogs e Lanches de Goiânia (Sindipit-Dog), Ademildo Godoy.

Segundo ele, a redução se justifica pelo fechamento de outras atividades tidas como essenciais para a sobrevivência dos Pit Dogs em Goiânia. Dentre elas: shows, boates, igrejas, jogos de futebol e outros eventos. “Muitas pessoas acham que o nosso trabalho não é afetado se não há esse tipo de evento na cidade. Pelo contrário, quantas pessoas não saem de grandes eventos a procura de um lugar para fazer um lanche?”, indagou.

Presidente do Sindicato dos Pit Dogs de Goiânia, Ademildo Godoy

O Sindipit-Dog representa mais de 1600 estabelecimentos em Goiânia. Se somados ao Estado, o número se aproxima dos 3 mil. Godoy lamenta a ausência de estímulos que possam socorrer a categoria em dias de dificuldades como esses. “Sinto como se houvesse até certo preconceito com o nosso negócio. Não recebemos nenhum apoio, nenhuma verba, nenhum auxílio. É como se a nossa categoria estivesse alheia a tudo o que está acontecendo”, desabafou.

Futuro incerto

A melhor época do ano para os Pit Dogs é, sem dúvidas, o Natal. “Passamos todo o ano pagando contas com o dinheiro das nossas vendas, com a chegada do Natal a coisa muda e é quando conseguimos compensar todo sofrimento ao longo do ano. Nunca tivemos um Natal que não tenha rendido bons frutos aos Pit Dogs. Mas infelizmente, quanto a esse ano, o que existe ainda é um grande ponto de interrogação”, disse.

Na interpretação de Godoy, a tranquilidade da população só virá com a vacina. “Mas ainda assim, penso que não voltaremos a ser o que éramos antes. Nossos hábitos culturais serão fortemente afetados. Somos um povo que gosta de contato, de um aperto de mão, beijos e abraços. Penso que isso tende a mudar”.

“No quesito comércio, não nos resta outra saída a não ser adaptarmos a realidade. Seguiremos intensificando o atendimento delivery e mantendo, nos pontos físicos, cadeiras distantes, processos de limpeza mais rígidos, uso de máscaras, enfim, unindo trabalho e consciência em prol do bem estar dos nossos clientes e funcionários”, pontou.

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