PF investiga empresa que desviaria dinheiro da Petrobrás para PT e PMDB

Documento foi obtido a partir de diligências da Operação Abate II, deflagrada na última quarta-feira (23/8)

A Operação Abate II, 45ª fase da Operação Lava Jato, encontrou na última quarta-feira (23/8), documento que conteria “diretrizes” para a criação de uma empresa denominada “Brasil Trade”, que seria a formatação de uma sociedade entre corruptos, corruptores e operadores de propinas responsáveis por desvios em contratos com a Petrobrás. Segundo investigação, 40% dos desvios beneficiariam PT e PMDB.

O documento foi obtido pela Polícia Federal e publicado pelo jornal Estado de S. Paulo, após diligências de busca e apreensão em endereços dos advogados Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, Sergio Tourinho Dantas, e da ex-assessora do ex-deputado Cândido Vaccarezza, Ana Claudia de Paula Albuquerque.

Os dois advogados fariam parte da sociedade capitaneada pelos lobistas Jorge Luz e Bruno Luz, presos desde fevereiro pela Lava Jato. Segundo investigações, a firma tinha participação de um executivo da empresa Sangeant Marine, dos Estados Unidos, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, de outro ex-gerente da estatal, de um operador do ex-ministro Edison Lobão, entre outros.

Em pedido de buscas encaminhado ao juiz Sérgio Moro, o delegado da PF Filipe Hille Pace, afirma que era “provável que dirigentes da empresa norte-americana Sargeant Marine tivessem se beneficiado indevidamente com recursos gerados mediante a contratação, mediante corrupção, da empresa pela Petrobrás com auxílio do grupo criminoso então denominado ‘Brasil Trade’.

O pedido segue, com a informação de que “40% do comissionamento era destinado ao pagamento de propina a Cândido Elpídio de Souza Vaccarezza e outro agente político e 20% a Paulo Roberto Costa”.

Em outro documento encontrado pela força-tarefa da investigação, existe a divisão “CONVERSADO / 40% POL (PT/PMDB) / 40% COORDENAÇÃO / 20% CASA”. A polícia ainda tenta confirmar o significado de todas as siglas encontradas nos registros.

A defesa de Lobão, citado e delações e envolvido nas investigações, afirma que o senador não conhece nem pai nem filho [Jorge e Bruno Luz], e nunca ouviu falar nesta empresa que eles citam e não tem nenhum tipo de relação e nunca esteve pessoalmente com eles – salvo se participaram de alguma audiência pública”.

Em resposta à publicação da matéria, o advogado Tiago Cedraz reitera sua tranquilidade quanto aos fatos apurados por jamais ter participado de conduta ilícita, confia na apuração pela Força Tarefa da Lava Jato e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.

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