A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-colaboradores da Voepass nesta quinta-feira, 6. Eles vão responder pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo no caso da queda do avião ATR 72-500, em Vinhedo (SP), que terminou com a morte de 62 pessoas em agosto de 2024.

De acordo com o inquérito, entre os indiciados estão profissionais com experiência e formação no setor aeronáutico, além de engenheiros. Eles foram apontados como responsáveis ou como pessoas que, de alguma forma, contribuíram para que o acidente ocorresse, seja por ação ou por negligência.


O dono da companhia de Ribeirão Preto, José Luis Felicio, e o diretor de manutenção, Eric Cônsoli, estão entre os responsabilizados. Eric, inclusive, é apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da Voepass antes da crise provocada pelo acidente e o encerramento das operações.

O laudo do Instituto Nacional de Criminalística da PF apontou que a causa do acidente foi a perda de controle em voo, decorrente do acúmulo de gelo na aeronave, da inoperânica do sistema pneumático de degelo e da não execução adqueada de cinco procedimentos por parte dos pilotos.

Veja lista dos indiciados:

  1. Edson Serra Martins
  2. Luciano Alves de Macedo
  3. Oderlino de Campos Figueiredo
  4. John Major Viana
  5. Marcos Hiroyuki Sato
  6. Alex de Souza Leandro
  7. William Schmidt Agatz
  8. Juliano Flores Pacheco
  9. Raphael Limongi de Figueiredo
  10. Marcel Sarquis Moura
  11. Tiago Passucci Morani
  12. Carlos Alberto Costa
  13. Eric Consoli
  14. Rafael Gimenez Rodrigues
  15. David da Costa Faria Neto
  16. José Luiz Felício Filho

Agora, o inquéito deve ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que vai decidir se há elementos suficientes para oferecer denúncia ou não.

Em coletiva, Carlos Eduardo Palhares, diretor do Instituto Nacional de Criminalística, explicou que o avião já tinha apresentado falhas antes do voo que terminou no acidente. Entretanto, as falhas não foram registradas nos diários de bordo e também não foram comunicados à área de manutenção pelos tripulantes.

A investigação ainda identificou uma cultura organizacional de funcionários da companhia em não reportarem as falhas apresentadas. Um exemplo diso seria a o problema no sistema de degelo, que já havia ocorrido em voos anteriores, segundo o diretor, e não foi comunicado.

“Tinha problema registrado? Não tinha, mas, como a aeronave se sinistrou, uma série de dados que antes eram ocultos, deixaram de ser ocultos — os dados da caixa preta. Isso trouxe um indicativo muito forte de tudo o que acontecia na operação.”

Leia também: Ex-presidente da Anapolina desaparecido há cinco dias é encontrado sem vida