Investigação teve início em fevereiro deste ano por meio de denúncia
envolvendo advogados, médicos peritos e funcionário do cartório cível da cidade de Itajá, interior de Goiás

Foto: Divulgação PF

A Polícia Federal, com o apoio do Núcleo Regional da Coordenação-Geral de Inteligência Previdenciária e Trabalhista de Goiás (NUINT-GO), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 17, a Operação Pravum II.

A ação visa combater um esquema fraudulento de obtenção de benefícios de aposentadoria por invalidez, benefícios de prestação continuada à pessoa portadora de deficiência (BPC) e benefícios de aposentadoria por idade ao trabalhador rural, no município de Itajá, interior de Goiás.

A investigação teve início em fevereiro deste ano por meio de denúncia
envolvendo advogados, médicos peritos e funcionário do cartório cível da cidade em fraudes na concessão do benefício de aposentadoria por invalidez.

Informações preliminares confirmaram que foram deferidas 913 aposentadorias por invalidez entre os anos de 2010 a 2018 no município de Itajá, cuja população seria de 4.539 habitantes, segundo o IBGE, em 2019. De forma que aproximadamente 1/4 dos habitantes seriam inválidos de forma permanente para o trabalho.

De todos os benefícios previdenciários ativos no município, 35,71% foram concedidos por meio de decisão judicial. A discrepância chega a ser o dobro em relação a municípios vizinhos, considerando o número de habitantes local.

Os requerimentos dos benefícios eram lastreados com declaração de endereço, componentes e renda falsos, omissão sobre a propriedade de bens, profissão, laudos periciais atestando incapacidades inexistentes, entre
outros.

A ação criminosa teria provocado um prejuízo de quase 3 milhões aos cofres público, considerando-se a expectativa de sobrevida
projetada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), chega a pelo menos R$ 11 milhões que seriam desembolsados em pagamentos futuros aos beneficiários.

Participam da ação mais de 50 policiais federais e servidores do INSS, que
cumprem 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Jataí/GO, nas cidades de Catanduva/SP, Cassilândia/MS, Itarumã/GO, Mineiros/GO e Itajá/GO.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato previdenciário, com penas que atingem mais de 10 anos de prisão. O nome da operação faz referência à expressão ‘enganador’, em latim.