Pesquisadores querem colocar a favela como tema da disputa presidencial

O trabalho aborda a situação de 63 favelas brasileiras a partir de visitas e entrevistas com 2 mil moradores. O objetivo é interferir nas políticas públicas destinadas a essa população

Os candidatos do PSDB e do PT à Presidência da República, Aécio Neves e Dilma Rousseff, respectivamente, serão os primeiros concorrentes da disputa a receber o livro Um País Chamado Favela, que traça uma radiografia das favelas brasileiras. A candidata Marina Silva, do PSB, receberá o livro em data ainda a ser confirmada. O trabalho aborda a situação de 63 favelas brasileiras a partir de visitas e entrevistas com 2 mil moradores. O objetivo é interferir nas políticas públicas destinadas a essa população.

Celso Athayde, criador da Central Única das Favelas ( Cufa), disse hoje (12) à reportagem que se trata de reflexões sobre o que é preciso melhorar a partir do diagnóstico que foi traçado das favelas em todo o país. Há consenso em torno de temas como segurança pública e saúde, que ele considera  de maior dificuldade de  implantação nessas áreas do que no asfalto. “Todas elas clamam por isso, pedem por isso de maneira muito forte”. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil em torno de 15 milhões de pessoas que vivem em aglomerados subnormais, as chamadas favelas. Athayde afiançou, porém, que o número é bem maior do que esse, na realidade.

O criador da Cufa considera essencial que as favelas sejam incluídas na pauta das eleições presidenciais porque são “o quinto maior espaço de voto, ou colégio eleitoral, do país”. Ele disse que as favelas precisam organizar os seus discursos, a partir das suas práticas. “O que a gente está tentando fazer no momento é, a partir de uma pesquisa científica, mostrar quais são os desafios que a gente tem nos anos que estão por vir. Isso tem que estar na pauta”.

No Rio de Janeiro,  Athayde disse ser favorável à ampliação da quantidade de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades, desde que melhore o relacionamento entre policiais e moradores e que a polícia tenha melhor qualificação. “Na verdade, quando você coloca polícia e não consegue acabar com o tráfico de drogas, você tem um ganho, que é reduzir a perda de vidas, mas na medida em que o tráfico continua, você acaba tendo uma outra questão que é a disputa de poder entre a polícia e o tráfico”. O morador, enfatizou, “fica o tempo todo ameaçado pelos dois lados, dentro de um conflito permanente e maior que aquele que já tinha”.

Celso Athayde enfatizou que o ideal é não existir favelas, mas um projeto  de habitação, segurança e transporte que deem condições para que essas pessoas morem com dignidade e segurança, com infraestrutura de transportes. “Porém, enquanto as favelas existirem, nós precisamos que elas sejam ouvidas e que façam parte da pauta. É preciso que esses parlamentares ou gestores nacionais pensem em políticas para essas pessoas. Do contrário, a cada ano que passe, nós só teremos aumentado a distância entre o país que se desenvolve e o país que continua subdesenvolvido”, apontou.

O primeiro candidato a receber um exemplar do livro, no próximo domingo (14), pela manhã, é Aécio Neves. O trabalho será apresentado pelos autores, Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisas Data Popular, e o próprio Celso Athayde. A presidenta Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, receberá o seu na segunda-feira (15), à tarde, também na sede da Cufa, em Madureira, zona norte do Rio.

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