Pesquisadores goianos desenvolvem técnica não invasiva de diagnóstico de tumores na pele

Método usa inteligência artificial para saber, sem a necessidade de biópsia, se a pessoa tem câncer da pele

Foto: Reprodução

Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de Goiânia estuda um novo método não invasivo para diagnosticar lesões na pele, em especial o melanoma, que apesar de representar apenas 3% dos tumores malignos da pele, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), é o tipo mais agressivo da doença devido à sua alta possibilidade de metástase.

Atualmente, para verificar se uma pinta, por exemplo, pode configurar um câncer na pele, é preciso removê-la total ou parcialmente para realização de biópsia. A fim de reduzir o tempo de diagnóstico, o grupo de pesquisadores está testando um método que utiliza inteligência artificial e mostra, no momento da análise, se uma pinta, mancha ou protuberância na pele é benigna ou maligna, sem a necessidade de corte.

A novidade funciona com o auxílio de uma câmera de infravermelho que captura, além das propriedades físicas da lesão, como tamanho e forma, características químicas da pele. Por meio dessas informações, é possível notar a presença ou ausência de melanoma.

O desenvolvimento do projeto faz parte da tese de doutorado do professor e engenheiro de computação Daniel Lucena, do IFG (Instituto Federal de Goiás), juntamente a outros pesquisadores da PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás), UFG (Universidade Federal de Goiás) e UEG (Universidade Estadual de Goiás). Segundo Lucena, o trabalho começou no final de 2016 e a previsão é de que seja concluído em meados de 2019.

Inteligência artificial

Uma das etapas do processo é a de identificação de uma mancha, como melanoma. Para isso, a detecção é feita com o uso de inteligência artificial. As amostras de pele adquiridas são catalogadas digitalmente, diferenciadas entre padrões de tecidos saudáveis e tumorais, por meio de uma câmera especial de infravermelho.

“Por meio deste catálogo, o computador aprende esses padrões e os utilizam na sugestão de hipótese diagnóstica de possíveis tumores epiteliais. A vantagem dessa abordagem é o rápido indício de malignidade, sem a necessidade de cortes. Tal hipótese poderá ser confirmada posteriormente por exames convencionais.”, explicou Lucena.

Para conseguir todas as informações necessárias, o projeto conta com diversos candidatos voluntários que possuem algum tipo de alteração na pele. Para o dermatologista Bones Gonçalves Júnior a pesquisa pode facilitar a vida do médico e beneficiar a sobrevida do paciente.

“Essa pesquisa vai possibilitar o resultado na hora, dentro ainda do consultório, e tornará o diagnóstico  mais fácil e rápido. Como o câncer deve ser tratado precocemente, o paciente diagnosticado, além de não sofrer as dores e incômodos de uma biópsia, terá mais tempo para lutar contra a doença”, ressaltou.

Câncer da pele

Os números sobre a doença não são animadores. O câncer da pele é o de maior incidência, representando 30% do total dos cânceres diagnosticados no Brasil. O Inca estima para este ano mais de 165 mil novos casos e, para piorar, uma pesquisa revelou que 70% dos brasileiros não usam filtro solar diariamente, 34% aplicam o bloqueador somente no rosto e somente 10% procuram ajuda do dermatologista para esclarecer dúvidas sobre fotoproteção.

“Se temos números tão altos relacionados ao câncer da pele é porque ainda há necessidade de uma verdadeira conscientização. Embora a doença seja totalmente tratável, ela pode matar se não for cuidada corretamente”, finalizou Bones Júnior.

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