Pesquisador goiano conclui pesquisa sobre gases do efeito estufa na Nova Zelândia

Pesquisa concluiu que a adição ou remoção de carbono do solo, técnicas comumente utilizadas na agropecuária, não afetam a liberação do óxido nitroso na atmosfera

Foto: Reprodução

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, de Santo Antônio de Goiás, Ph.D. em Agronomia, Adriano Nascente, acaba de retornar da Nova Zelândia, onde trabalhou em pesquisas que determinam o efeito do manejo de carbono em processos relacionados a gases de efeito estufa, principalmente gás carbônico e óxido nitroso. Sua pesquisa concluiu que a adição ou remoção de carbono do solo, técnicas comumente utilizadas na agropecuária, não afetam a liberação do óxido nitroso – 300 vezes mais agressivo que o gás carbônico – na atmosfera.

Adriano atuou como cientista visitante no Instituto de pesquisa Landcare Research, Nova Zelândia, em pesquisa colaborativa realizada de 1º de outubro de 2018 a 27 de junho de 2019, financiada pela Aliança Global de Pesquisa em gases de efeito estufa (Global Research Alliance on Agriculture Greenhouse Gases). Ele foi orientado pelo pesquisador da Landcare Research, David Whitehead. Durante esse período, Adriano desenvolveu e liderou um projeto de pesquisa que estudou os impactos da manipulação de insumos de carbono no processo regulador das emissões de óxido nitroso da alfafa irrigada. Para desenvolver a pesquisa, ele realizou medições em dois ensaios de campo, um de longo prazo e outro de curto prazo.

Este trabalho resultou em práticas relevantes para o desenvolvimento de melhores práticas de manejo para os agricultores reduzirem as perdas de nitrogênio e reterem os estoques de carbono do solo. No experimento de longo prazo, a pesquisa mostrou que a remoção total da biomassa da alfafa (remoção de carbono) e a adição de carbono como sacarose aumentaram a respiração do solo e o índice de disponibilidade de carbono e reduziram as concentrações de amônio, nitrato e nitrogênio inorgânico no solo em relação ao tratamento controle.

No entanto, não houve efeitos sobre as emissões de óxido nitroso. Por outro lado, a redução intermediária da biomassa da alfafa criou condições para aumentar a fixação de nitrogênio pela planta de alfafa, resultando em aumento das concentrações de amônio e nitrato no solo e aumento das emissões de óxido nitroso.

Adriano destaca que as conclusões foram relatadas em dois artigos científicos que serão submetidos para publicação em revistas internacionais, intitulados: Efeito da disponibilidade do carbono no ciclo de carbono e nitrogênio sob alfafa irrigada e Efeitos da manipulação de insumos de carbono nas interações entre carbono e nitrogênio sob alfafa irrigada. O agrônomo acrescenta que o período de estudo na Nova Zelândia foi muito produtivo, resultando em parcerias importantes, além do desenvolvimento de novas habilidades que podem melhorar as práticas agrícolas no Brasil e na Nova Zelândia.

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