Pesquisa mostra que ação de bots disseminou conteúdo de Dilma, Aécio e Marina

Relatório identificou contas e fazendas de perfis de outros países com conteúdo político brasileiro e manipulatório que pode ameaçar eleições de 2018

Fazenda de perfis – Reprodução

Uma pesquisa recente da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas encontrou 1.208 bots (software que simula ações humanas repetidas vezes de maneira padrão em contas falsas) no Twitter durante a última campanha presidencial brasileira, em 2014. A suspeita já existia, pois investigações já haviam mostrado possíveis perfis falsos que publicavam posts suspeitos na rede social.

O documento confirmou que os três candidatos mais votados usaram a estratégia na campanha. Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (à época no PSB) tiveram 20% das interações na rede motivadas por perfis fake.

Os resultados surpreendem pelos altos números e, também, pelo possibilidade de risco nas eleições de 2018. Isso porque os pesquisadores cruzaram os dados de 2014 com os que estão levantando pelo Twitter nos últimos meses, mostrando que em 2017 o DAPP verificou que 20% das interações no Twitter foram responsabilidade de contas automatizadas.

Crédito: DAPP/ FGV

Os dados acumulados conseguiram identificar cinco campos pelos quais os bots se distribuem: Na Zona Vermelha, apoio a Lula (PT); na Cinza, contas argentinas que apoiam o petista; a Verde é de partidários de Jair Bolsonaro (PSL); a Rosa se divide entre Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), e a Azul mistura contas a favor de Michel Temer (MDB), dos tucanos João Doria e Geraldo Alckmin, e de Gilmar Mendes, ministro do STF. A subdivisão foi desenhada a partir 730 mil tuítes, coletados entre novembro e dezembro de 2017.

Amaro Grassi, pesquisador do DAPP, alerta que “as formas de uso dos bots de hoje já são bastante consolidadas, mais complexas do que as de 2014”, diz. “Não tem como subestimar o quanto isso vai ser frequente e presente, sobretudo depois que as máquinas de campanha estiverem à toda. O alcance que as fake news podem ter por meio de robôs é muito grande”, reconhece.

De acordo com o DAPP “o uso de robôs para disseminar fake news pode interferir no processo democrático”, por isso o relatório traz recomendações para evitar que cidadãos sejam manipulados nas redes sociais. Entre as dicas, além da transparência radical no uso dos recursos de campanhas políticas, outras orientações indicam a criação canais de denúncias para a identificação de perfis e notícias falsas e a capacitação do poder público para desabilitá-los.

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