Pesquisa diz que 6,9% de moradores do Centro-Oeste analisados passaram fome durante pandemia em 2020

No Brasil, a fome atingiu 19 milhões de pessoas; análise conduzida pela Rede Penssan mostra os graus de insegurança alimentar sofridos pelos brasileiros durante pandemia

Crianças se alimentando. | Foto: Wandell Seixas/reprodução

Estudo levantado entre os dias 5 e 24 de dezembro de 2020, em 2.180 domicílios das áreas urbanas e rurais do país, mostra que a fome atingiu 19 milhões de brasileiros em 2020. Os dados são do Inquérido Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, que foi conduzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). No Centro-Oeste, 8,7 milhões de moradores apresentaram algum grau – leve, moderado ou grave – de insegurança alimentar.

Na pesquisa, os moradores das cinco regiões do país foram questionados sobre os três meses anteriores ao momento da coleta de dados. Dos resultados, 116,8 milhões de brasileiros conviveram com algum grau de insegurança alimentar. Desse número, 43,4 milhões não tinham a quantidade suficiente de alimentos e 19 milhões enfrentaram a fome. Apesar do grande número, apenas 8% dos domicílios analisados faziam parte do Centro-Oeste, sendo 7% na área urbana e 1% na área rural. As regiões Sudeste e Sul juntas abrangeram 59% dos domicílios da pesquisa, seguidos do Nordeste (26%), e Norte (7%).

No momento da realização da pesquisa, o auxílio emergencial oferecido pelo Governo Federal para reduzir os impactos da Covid-19 no país havia diminuído de R$600 para R$300 – e de R$1200 para R$600 às mães solos – afetou os resultados das pesquisas, no que se refere a piora das condições financeiras da população.

O que foi possível constatar é que mesmo com o auxílio emergencial, 28% dos brasileiros viveram insegurança alimentar grave, tendo passado fome, ou moderada e 37,6% viveram de forma leve. Entre os que não receberam a ajuda, 10,2% passaram por insegurança grave ou moderada, e a maior parte deles, 60,3% viveram em segurança alimentar. No Centro-Oeste, a taxa de segurança alimentar esteve presente entre 46,7% dos entrevistados. 34,6% tiveram insegurança alimentar leve, 11,7% moderada e 6,9% passaram fome.

A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional foi criada em 2012 e desde então trabalha em prol de avançar o conhecimento sobre a realidade social brasileira.

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