Pesquisa aponta que falta de acesso a crédito e dinheiro em caixa trava retomada das empresas

Apesar do otimismo de empresários, para o o presidente da Acieg, Rubens Fileti, a precisão de crescimento do PIB ainda é tímida ao próximo ano

Dados apresentados pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg) mostram que os efeitos da pandemia da Covid-19 ainda perduram no cotidiano dos empresários e dificultam o andamento das empresas. Das 90 instituições associadas que foram consultadas, 61,6% teve até 30% da renda diário afetada pela pandemia. 

As condições identificadas durante o ano de 2020 e nos dias atuais, diferente da expectativa, são bem parecidos, de modo que a dificuldade de acesso ao crédito, a falta de dinheiro no caixa, a folha salarial e a concorrência desleal estiveram entre os principais motivadores da desestabilidade nos negócios. Presidente da Acieg, Rubens Fileti acredita que cada um desses aspectos é determinante para que o outro prospere.

“É uma bola de neve. Se você não consegue crédito, não tem dinheiro, não tem liquidez, tem que mandar funcionários embora, não tinha como pagar as rescisões dos funcionários, então acaba acontecendo um grade problema”, explica Filete. Essa falta de acesso ao crédito, por exemplo, afetou quase 20% dos entrevistados.

Para Filete, essa dificuldade de acesso ao crédito ocorre por motivos diversos, mas especialmente pela preferência das instituições financeiras por quem não apresenta instabilidade e a própria estruturação da empresa. “As instituições financeiras estão emprestando [dinheiro] para quem tem dinheiro, não para quem realmente precisa resolver um problema. Se você está com o nome sujo, algum tipo de restrição ou não tem nenhum tipo de garantia, o risco aumenta e não há crédito”, contextualiza o presidente.

As empresas que mais sofreram durante o período pandêmico, como já era previsto pela associação, foram as micro e pequenas, especialmente as que se encontravam desestruturadas desde antes da pandemia começar. “A pandemia fez com que a bola de neve aumentasse ainda mais”, disse.

Esse cenário, segundo ele, faz com que pessoas recorram ao mercado informal de instituições financeiras em busca de linhas de crédito que no fim possuem juros exorbitantes e pioram o problema que desde o começo já era grave. Dentre as 90 empresas sondadas na pesquisa, 61,6% pertencem ao setor de serviços, 27,9% ao comércio, 9,3% à indústria e 1,2% ao terceiro setor.

O que fazer?

Para sair desse estado de crise, o primeiro passo, de acordo com o presidente é o entendimento da estrutura interna da própria empresa, para que os pontos fracos possam ser melhorados e seja possível entender se realmente a instituição necessita de conseguir um crédito extra para o seu andamento. “É preciso organizar os processos internos da empresa e saber se é realmente preciso chegar em uma linha de crédito. Algumas vezes o empresário acha que precisa do dinheiro, mas na verdade precisa se organizar internamente”, explica Filete.

Para o presidente, somente após essa análise inicial é possível estabelecer estratégias a serem utilizadas. Antes da procura de crédito, Rubens menciona a possibilidade da realização de um estoque, de possíveis promoções ou outras ações que possam fazer com que “o dinheiro gire dentro da empresa”.

Grande exemplo, para Filete, é a porcentagem de 41,9% de empresas que afirmam terem conseguido atingir um patamar de vendas da empresa semelhante ao do período pré-Covid. “Esse é um grupo muito importante. As empresas se organizaram e pegaram o crédito na medida que precisavam, dentro da pandemia”, disse. Entre outro dos fatores que colaboraram para driblar as dificuldades impostas pela pandemia é a adaptação ao digital.

E 2022?

Apesar de a esperança entre os empresários permanece grande, com cerca de 82,6% de pessoas que acreditam na retomada da economia no próximo ano, a realidade mostra que o período ainda será de recuperação. Antecipadamente a isso, no entanto, a própria previsão de fechamento de 2021 no negócio de 23,3% dos entrevistados é de expansão forte.

Como grandes destaques dessa expansão, estão as indústrias de alimentos, farmacêutica e o agronegócio, que por demandarem uma mão de obra especializada, permanecem em contínuo processo de contratação. No entanto, falta de mão de obra, matéria prima e a inflação não deixam de impactar nesse cenário.

O ano de 2022, inclusive, deve ser um ano de consolidação do que se viu no segundo semestre de 2021: “um período sofrido e sem um grande incremento de vendas”, explica o presidente. “O empresário está muito otimista, mas o otimismo diminui a partir do momento em que ele precisa de crédito para incrementar as vendas, comprar matéria-prima ou contratar um serviço. Estamos conservadores na previsão de crescimento de PIB ao estado de Goiás e ao Brasil, diferente do otimismo que a sondagem mostrou”, explica Rubens Fileti.

Para colaborar com os empresários goianos, a própria Acieg irá lançar, na primeira semana de novembro, a Aciex Bank, que é uma plataforma de consultoria aos associados, criada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A intenção, de acordo com Fileti, é colaborar com a identificação das falhas e com o estabelecimento de estratégias a serem seguidas pela instituição.

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