Especialista explica que aumento da frota de veículos nas cidades tem contribuído para um trânsito com problemas de fluidez. Para ele, debater e incentivar praticas de deslocamento alternativas é fundamental, especialmente em tempos de eleição

Engarrafamento / Foto: Reprodução

Comemora-se, em 22 de setembro, o Dia Mundial sem Carro. A data traz consigo muito mais do que apenas o estímulo ao abandono aparentemente momentâneo dos veículos, mas também uma série de outras questões que envolvem saúde física e mental, cuidados com o meio ambiente e desenvolvimento de políticas públicas de qualidade.

Ao Jornal Opção, o doutor em Engenharia de Transportes pela USP, Benjamin Jorge Rodrigues, explicou que o aumento dos automóveis nas cidades tem contribuído para um trânsito com problemas de fluidez. “Esse excesso de veículos nas ruas traz consigo não só o problema de dificuldade de locomoção em si, mas também outros fatores ligados à saúde humana como estresse, tensão e cansaço, por exemplo”.

“Também precisamos nos atentar para o aumento da poluição, o próprio congestionamento e acidentes; vale lembrar que no Brasil são mais de 40 mil mortos em acidentes de trânsito anualmente. Enfim, o conjunto de todas essas coisas acarretam na perda de qualidade de vida da cidade, sendo que o ideal é que caminhássemos em direção ao inverso”, acrescentou o especialista.

O Dia Mundial sem Carro, para ele, é tido como um importante instrumento de convencimento não só das pessoas, mas também de seus governantes. “A intenção é convencer e estimular também os nossos representantes a pensarem em um mundo de bicicletas, por exemplo. Pensarem também na construção de ciclovias, de modelos mais adequados de transporte coletivo e tantos outros”.

O grande desafio, na interpretação de Benjamin, ainda passa por questões culturais e estruturais. “Foi colocado na cabeça das pessoas que o veículo é sinônimo de sucesso, de status. Somado a isso temos um modelo de transporte coletivo que não é adequado. Isso estimula cada vez mais o crescimento da frota de veículos nas cidades ano após ano”, disse.

Enfatizar a importância de se debater o assunto e adotar novas práticas de mobilidade urbana em tempos de eleição, segundo ele, faz com que o assunto acabe se tornando peça fundamental no palanque político. “É uma forma de pressionar os candidatos a não só abordarem o assunto, mas a apresentarem propostas que venham a contribuir com as cidades. Creio que aquele que tiver uma atenção especial em relação ao trânsito e as políticas para melhoria do transporte público coletivo tende a sair na frente na disputa que se aproxima”, pontuou.