Pelo menos 10 deputados estaduais devem aproveitar janela partidária para mudar de filiação

Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás e outros dez nomes conversaram com o Jornal Opção sobre as possibilidades de mudança de partido

Pelo menos 10 dos 41 deputados estaduais por Goiás devem aproveitar a janela partidária para mudar de filiação. Além do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSB), devem trocar de legenda os parlamentares Bruno Peixoto (MDB), Rubens Marques (PROS), Cairo Salim (PROS), Coronel Adailton (Progressistas), Chiquinho Oliveira (PSDB), Thiago Albernaz (Solidariedade), Delegado Eduardo Prado (DC), Wagner Neto (PROS) e Alysson Lima (Solidariedade).

Pelo levantamento feito pelo Jornal Opção, que ouviu parte dos parlamentares nesta quinta-feira, 03, o PROS deve ter a maior perda de filiados, com três baixas. Por outro lado, entre as conversas que mais avançaram até agora, o PRTB está liderança do ranking das legendas que vão ganhar novos nomes. Coronel Adailton e Wagner Neto vão buscar nessa sigla a base do projeto de reeleição para o parlamento goiano. Outras mudanças também estão definidas. O União Brasil, partido do governador Ronaldo Caiado, vai passar a abrigar Bruno Peixoto. O tucano Chiquinho Oliveira deve rumar para MDB, legenda presidida pelo pré-candidato a vice de Caiado, Daniel Vilela.

“Trabalhei para que Daniel [Vilela] entrasse na vice-governadoria. Vamos construir essa chapa forte dentro do MDB, para fazer entre cinco e sete deputados”, diz o tucano. Chiquinho ficou na primeira suplência do PSDB após herdar a cadeira do deputado Diego Sorgatto (União Brasil), que foi eleito prefeito de Luziânia. Apesar de também dialogar com o União Brasil, ele está mais próximo de buscar uma vaga na Alego pelo MDB. O caminho inverso do que deve ser feito pelo líder do governo, Bruno Peixoto, que vai sair do MDB rumo ao União Brasil, para ficar mais próximo de Caiado e na expectativa de que a sigla faça mais nomes, por ser um dos maiores partidos do Estado. “Essa é a tendência”, avalia Peixoto.

Outros seis parlamentares estão dispostos a mudar de partido mas ainda não definiram para quais irão. Lissauer Vieira, por exemplo, está praticamente acertado com o PSD, mas ainda não bateu o martelo. Rubens Marques cogita se filiar ao PP, PSD, PTB ou Republicanos, sigla do prefeito Rogério Cruz. Cairo Salim avalia ir para PSD, PTB, PP ou Republicanos; Thiago Albernaz para PP, PSD ou Republicanos; Delegado Eduardo Prado para PL e Alysson Lima, que almeja trocar a Alego pela Câmara dos Deputados, em Brasília, sonda partidos de centro ou de centro-esquerda, como PDT, o PROS, o PSB ou PSD. Independente do projeto político, todos os parlamentares disseram ao Opção que pretendem aproveitar a “janela”, que se iniciou hoje e termina no dia 1º de abril, para deixar as atuais siglas sem sofrer sanções posteriores, como a perda do mandato.

Novos ares

O deputado Thiago Albernaz afirma que a migração de partido deve acontecer porque o Solidariedade está montando uma chapa para Alego sem deputados em mandato. “A nossa migração deve acontecer, por isso estamos procurando uma sigla que nos dê oportunidade e que nos encaixe”, explica. É o que também tentarão os deputados Wagner Neto e Coronel Adailton, que devem ir para o PRTB, que “esta montando uma chapa forte, independente de não ter tempo de TV e fundo partidário.

Ambos afirmam ao jornal que estão fortes na sigla, assim como o primeiro suplente, Mayclyn Carneiro (PRTB), que assumiu o posto provisoriamente durante um tempo e pretende ficar na legenda. “Devo ir para o PRTB. É uma opção pela sobrevivência no parlamento. O PP é uma sigla que deve ter uma chapa com vários candidatos fortes, como a própria primeira-dama de Anápolis, que também é sua base”, explica Adailton, que lembra que foi convidado pelo PMN e também pelo MDB.

Cairo Salim e Rubens Marques, que estão no PROS, devem deixar o partido porque a sigla condicionou a manutenção deles a uma candidatura na Câmara Federal. Eles poderiam ficar no partido somente com esta condição, o que não deve acontecer. “A vontade é continuar, mas vamos analisar os convites. Tem que ser um partido que vai seguir com o governador Caiado”, comenta o deputado Rubens.

Cairo não tem essa condicional e conversa até mesmo com o PTB, que é uma sigla que, segundo ele, condicionou a filiação do político a uma candidatura à prefeitura de Goiânia. “Vou sair porque a estratégia do partido é essa”, comentou o politico.

Vai ou fica

O deputado Eduardo Prado pode ficar no DC, mas pretende sair da sigla. A condição, no entanto, é de que seja um partido que esteja na base do deputado federal Vítor Hugo (União Brasil), que deve concorrer ao governo de Goiás com apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL). O próprio DC tente a estar na base de Vítor.

O deputado Alysson Lima, que é pré-candidato a Câmara Federal também está neste “vai não vai”. Quer ir para Brasília numa chapa que seja de centro ou de centro-esquerda. “Mas desde que seja um partido que não tenha um deputado federal em mandato”, diz.

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