Pedidos de expulsão de Friboi e Frederico Jayme chegam ao PMDB e dividem opiniões

Propagadores de uma nova era dentro do partido, ambos serão julgados pelo Conselho de Ética da sigla. Decisão final será da executiva da legenda

Sede do diretório do PMDB estadual, localizada no Setor Aeroporto

Sede do diretório do PMDB estadual, localizada no Setor Aeroporto

Em reunião no fim da tarde desta quarta-feira (11/2), integrantes do Conselho de Ética e da executiva e diretório do PMDB estadual trataram sobre a expulsão de alguns integrantes da legenda, dentre eles, o empresário Júnior Friboi e o atual chefe de gabinete do governador Marconi Perillo (PSDB), Frederico Jayme.

Ambos terão suas permanências no partido avaliadas pelo Conselho de Ética da sigla e, posteriormente, a definição será homologada pela executiva estadual. Os trâmites legais para que os processos sejam julgados podem se alongar por cerca de três meses.

Na próxima semana, devem ser definidos, por sorteio, os relatores para cada processo. À imprensa, no entanto, o deputado estadual José Nelto chegou a sublinhar possíveis nomes. Gilmar de Oliveira Mota cuidaria do caso Friboi e Dorival Mocó do de Frederico Jayme.

Nas últimas eleições, Frederico e Friboi, embasados em um discurso que clamava pela oxigenação do PMDB — representado, mais uma vez, pelo decano Iris Rezende –, creditaram apoio a Marconi, eleito pela quarta vez governador de Goiás.

Além da dupla, outros nomes também estão na berlinda peemedebista por suposta infidelidade partidária. É o caso do ex-presidente do PMDB metropolitano Emival de Oliveira e da ex-presidente do PMDB Jovem da capital Denise de Castro.

A previsão é que o número de “infiéis” a serem julgados aumente até o fim do mês. Integrantes da executiva do partido também esperam julgar os casos de todos os prefeitos da legenda que creditaram apoio a Marconi no último pleito. Uma verdadeira “caça às bruxas”.

Reunião “pontual”

Mesmo com coro suficiente para possíveis deliberações, a reunião desta quarta-feira foi “pontual”, conforme definiu o presidente da sigla no Estado, Samuel Belchior. Em entrevista, ele avaliou ainda ser cedo para qualquer indicação quanto às possíveis expulsões. “O que eu sempre peço é que não deixemos nada sem julgar, respeitando, claro, os direitos à ampla defesa”, avaliou.

Questionado quanto às implicações da decisão do Conselho de Ética do partido frente às próximas eleições municipais, Belchior afirmou que o PMDB goiano deve passar por uma “depuração”, onde quem não agrega à sigla deve ser prontamente banido dela. “Em alguns casos os companheiros somam e precisam ficar para fortalecer o partido e, em outros casos, a pessoa não soma, ela desagrega”, explicou.

Frederico Jayme e Junior Friboi Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Jayme e Junior Friboi Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Sem consenso

Reflexo da divisão interna do partido, integrantes do Conselho de Ética do PMDB goiano, e também da executiva do partido, possuem opiniões divergentes quanto ao futuro partidário de Friboi e Frederico Jayme.

Ligado à ala irista, o deputado José Nelto é claro ao pontuar as falhas dos “infiéis”, como ele mesmo classifica aqueles que postularam apoio ao então candidato tucano. “Há uma farta documentação que comprova a traição. No caso do Friboi, ele mesmo escreveu uma carta de apoio ao Marconi”, lembrou, acrescentando que espera que a justiça seja feita em ambos os casos. “Espero que este capítulo de desgaste do PMDB tenha fim”, completou.

Secretário do Conselho de Ética do PMDB, Kowalsky do Carmo Ribeiro lembra que a expulsão não é a única penalidade prevista aos peemedebistas a serem julgados. “Qualquer filiado do partido que apoia um candidato de outro partido sofre as penalidades que o partido prevê, dentre elas, a expulsão. Agora, também há suspensão para disputa eleitoral, advertência…”, enumera.

Em entrevista, Kowalsky sinaliza para uma maior gravidade para o caso de Frederico Jayme, que atualmente ocupa o cargo de chefe de gabinete do governador tucano. “Agora, aquele que ficou chateado com a decisão do partido em ter outro candidato, a não ser ele, não há porque se expulsar”, explicou, referindo-se a Friboi.

De acordo com o presidente do conselho, Leon Diniz, a análise quanto às possíveis expulsões obedecerão os devidos processos legais, com direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme prevê os estatutos da sigla. “O que não admitimos é a infidelidade”, ressalvou.

Crise em evidência

A falta de consenso quanto ao futuro de seus dissidentes coloca em evidência a frágil e sistemática crise amargada pelo PMDB estadual. De um lado os apoiadores de Iris Rezende tentam expurgar do partido aqueles que, de certa forma, prejudicaram a candidatura do cacique peemedebista em 2014; do outro há aqueles (friboizistas ou não) que pregam a oxigenação da legenda ao clamar pelo fim da era Iris.

Confrontado sobre a questão, o presidente do partido em Goiás ameniza a situação e afirma que as diferenças intrapartidárias “não são do tamanho que são divulgadas”. ” A questão não é fortalecer Iris ou ninguém, o negócio é que temos que nos entender da melhor maneira possível aqui entre nós, dentro do partido”, explicou.

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