Pedido de vista impede votação de decreto que susta desapropriação no Botânico

Autora do projeto Dra. Cristina, se revoltou com presidente da Câmara, Andrey Azeredo, e o acusou de autoritarismo

Dra. Cristina discursou revoltada | Foto: Larissa Quixabeira

Em mais uma controversa decisão, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Andrey Azeredo (PMDB), declarou aprovado um pedido de vista feito pelo vereador Paulo Magalhães (PSD) ao projeto de decreto legislativo que susta os efeitos do decreto do prefeito Iris Rezende (PMDB) que desapropria imóveis particulares localizados no perímetro do córrego Botafogo.

Mesmo com a manifestação de vários vereadores, a mesa diretora não aceitou colocar o pedido em votação no painel eletrônico, causando revolta da autora, Dra. Cristina Lopes (PSDB).

Da tribuna, ela acusou Andrey Azeredo de manobrar para dar mais tempo ao Paço para que “convença” parlamentares a não aprovarem o decreto legislativo e lembrou que moradores da região do Jardim Botânico já estão recebendo notificações para deixarem suas casas.

No entanto, o presidente ameaçou cassar-lhe a palavra, caso ela não se ativesse ao projeto em discussão (de autoria do vereador Gustavo Cruvinel, do PV, e que tratava sobre regulamentação de raios-x e tomógrafos na capital).

Abismada, ela ironizou e rebateu a reprimenda: “Precisamos mesmo é de um raio-x no câncer que habita e corrói o Parlamento brasileiro. O raio-x que deve ser feita é da nojeira que é o Parlamento brasileiro. O raio-x deve ser feito na mesa diretora, que de maneira arbitraria cassa a palavra das pessoas, tenho voto, não estou aqui cumprindo tabela, defendendo grupo econômico, defendendo sobrenome político, defendendo as pessoas. Chega!”

Segundo a tucana, o decreto de Iris, que classificou como uma manobra, pode gerar um empreendimento milionário naquela região do Jardim Botânico. “Estou propondo um raio-x de quais são as reais intenções da prefeitura: que é mandar embora, é desafetação, é isso que chamo atenção. Não é desapropriação”, alertou.

Por fim, ela lamentou a aprovação do pedido de vista: “Autoritário, arbitrário, como as coisas tem funcionado nessa casa.”

Veja abaixo momento em que vereadores e população se manifestam contra a decisão de aprovar o pedido de vistas:

Vídeo: Larissa Quixabeira

Polêmica

A controvérsia em torno do decreto da gestão Iris surgiu justamente porque a prefeitura não especifica quais serão as áreas afetadas e abre brecha para especulação imobiliária na região do Jardim Botânico.

O decreto apenas torna de “utilidade pública, para fins de desapropriação”, os imóveis particulares localizados no perímetro próximo ao córrego Botafogo. São 3 vilas, sem delimitação de quadras, que serão desapropriadas em até 90 dias, desde a data de publicação da resolução e que obriga diversas famílias a deixarem o local.

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