Paulo Garcia: “Nós temos um objetivo a seguir e não nos abalaremos com qualquer pressão”

Prefeito considera projeto como atitude de “coragem e firmeza”; proposta prevê corte de 37% do organograma municipal e busca “otimizar recursos”

Foto: Dias Neto

Foto: Dias Neto

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), anunciou na tarde desta quarta-feira (11/2), a reforma administrativa a ser feita na administração da capital. Ele ainda deve encaminhar seu projeto à Câmara Municipal e votado. Os vereadores devem receber o plano da reforma na quinta-feira após o carnaval (19).

Com um corte de aproximadamente 37% do organograma da Prefeitura, o petista garante que será gerada uma economia de R$ 72 milhões anuais ao município. A reestruturação foi classificada pelo chefe do Executivo municipal como uma “atitude de muita coragem e firmeza”. “Uma demonstração que nós temos um objetivo a seguir e não nos abalaremos com qualquer pressão”, pontuou.

Em sua explicação à imprensa, Paulo Garcia apresentou três fatores que, de acordo com ele, levaram a esse plano de reforma. O primeiro é o momento econômico atual não só da cidade, mas também do País.

“É de conhecimento geral que nós ainda perpassamos por uma grave crise econômica mundial com reflexos no nosso País, que tem levado a manifestações do nosso Governo Federal de promoção de um reajuste orçamentário fiscal rigoroso, necessário, responsável e determinado. E, por consequência, todos os Estados da Federação também têm sido motivados a realizar essa reestruturação”, pontuou.

Outro fator apontado pelo prefeito como determinante para a readequação administrativa foi a não aprovação, no final do ano passado, da planta de valores proposta pela prefeitura pela Câmara Municipal. Com a reprovação do aumento de 25% na planta, o Paço teve que readequar, de acordo com o gestor, o planejamento orçamentário “à realidade com a qual será vivenciada ao longo desse ano”.

Paulo Garcia, inclusive, comparou a economia que será gerada após a reforma administrativa com o que pretendia ser adquirido com a atualização da planta de valores. “A economia esperada pelo Executivo municipal é algo muito próximo dos 25% que deixamos de ter no nosso orçamento quando da não aprovação pela Câmara da atualização da planta de valores. Algo em torno de R$ 72 milhões, R$ 70 milhões”, disse.

Por fim, o petista assinalou para uma necessidade de otimizar recursos estruturais e humanos. “Obviamente, alguns chamam isso de uma gestão de resultados, uma gestão moderna. Nós preferimos rotular essa adequação da otimização dos nossos recursos, sejam eles estruturais ou sejam eles humanos”, afirmou.

Redução de gastos

Atualmente, Goiânia tem 27 secretarias. Destas, 11 serão extintas. “Mas terão suas políticas públicas conservadas”, enfatizou o prefeito. Será criada ainda a Agência de Turismo e Lazer, que terá status de primeiro escalão e incorporará o Parque Mutirama e o Zoológico.

A mudança estrutural no organograma municipal será “significativa”. “Toda a estrutura subjacente ao que nós denominamos cabeça da secretaria, também será modificada numa redução média de 37%  do organograma municipal”, explicou.

“A economia esperada pelo Executivo municipal é algo muito próximo dos 25% que deixamos de ter no nosso orçamento quando da não aprovação pela Câmara da atualização da planta de valores. Algo em torno de R$ 72 milhões, R$ 70 milhões”.

Além da economia de cerca de R$ 70 milhões, o Paço espera reduzir outros gastos como aluguéis (já que agora serão usados menos prédios), telefone, água, energia e combustível.

Consequências políticas

Sobre um possível desgaste causado pela reforma, Paulo Garcia afirmou que não acredita que isso irá acontecer, já que a reestruturação só foi proposta depois de a Prefeitura “escutar diversos segmentos”.

Nós ouvimos a Câmara Municipal em duas instâncias, toda a base de vereadores da nossa sustentação, a nova mesa diretora da Câmara, os dois partidos – de forma isolada – que compõem esse governo (o PT e o PMDB). Conversamos com o fórum empresarial em suas diversas nuances e também com o fórum dos servidores municipais”, afirmou o prefeito.

De acordo com ele, foi possível perceber a existência de um “anseio coletivo” para que a reforma aconteça. “Portanto, se houver alguma insatisfação, e é possível que haja, eu acho que ela é plenamente superável”, justificou.

Quanto ao espaço que os partidos teriam na administração, Paulo Garcia defendeu que a reforma não tem cunho político-partidário. O objetivo seria uma gestão responsável, conforme o petista. Deste modo, quem perderia mais espaço seria quem tem maior participação, ou seja, o PT e o PMDB.

O prefeito assumiu que já pensou em quem deve assumir as secretarias e até convidou algumas pessoas, porém não informou quem poderia ficar à frente das pastas.”Não acredito que num momento de reestruturação seja oportuno eu declinar ou tornar públicos esses nomes. Eles serão anunciados assim que nós tivermos como lei em Goiânia essa estruturação aprovada.”

O projeto na Câmara

Paulo Garcia assumiu que há a possibilidade de, uma vez que o projeto chegar à Câmara, os vereadores pedirem alterações na reforma. Eles podem, por exemplo, minimizarem a reestruturação, decidindo por manter mais secretarias.

Porém, os parlamentares podem também pedir um corte maior que o que está sendo enviado. Paulo Garcia vê essa possível ação como prejudicial. “Nós esperamos que isso não aconteça. Quando apresentamos [a proposta], a apresentamos com sensatez e depois de um estudo amplo das necessidades da cidade. Qualquer alteração mais significativa pode levar ao estrangulamento administrativo”, assegurou.

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