Estudantes temem mudanças anunciadas para Passe Livre Estudantil

Beneficiários não gostaram da ideia. Para eles, todo aluno deve ter direito ao benefício

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O programa Passe Livre Estudantil (PLE) foi instituído como direito social ao transporte de estudantes das redes pública e particular de ensino. Ele garante a gratuidade no sistema de transporte coletivo de passageiros da Região Metropolitana de Goiânia, mediante subsídio financeiro aos beneficiários.

A prerrogativa é válida para qualquer estudante, do ensino fundamental até a pós-graduação. O PLE dá direito a duas viagens por dia para o deslocamento de ida e volta até a unidade de ensino — totalizando, no máximo, 48 viagens mensais — e não é cumulativo.

Alguns alunos da capital, no entanto, reclamam que o benefício não está conseguindo suprir suas necessidades. É o caso da Érica Carolina. Ela conta que utiliza o passe livre há mais de um ano e nem sempre o benefício é depositado na data certa.

A estudante mora no Setor Finsocial e faz curso técnico no centro de Goiânia. Ela contou ao Jornal Opção que a viagem é longa, cerca de uma hora, e disse ainda que depende do benefício para estudar: “Eu preciso do passe livre para vir para o curso. Às vezes nem depositam o dinheiro todo, depositam R$ 90,00, sendo que a gente tem que usar o mês todo”.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Além do problema de regularidade do passe livre na capital, foi proposta uma mudança no sistema de cadastramento dos beneficiários que não agrada os estudantes. A ideia seria que apenas usuários de baixa renda fossem atendidos pelo programa, na intenção de reduzir os custos.

A estudante Rosimere Barbosa disse à reportagem que não estava sabendo das possíveis mudanças. “Todos os alunos têm direito de ter, mas no meu caso, pela renda, eu ainda teria. Nem todos trabalham para ter dinheiro e comprar passagem”, afirmou.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O Edwardes Miranda vem do Jardim Guanabara para o centro, e também é usuário do PLE, há mais de um ano. Ele afirmou que também não sabia sobre a proposta: “Isso atrapalharia. A gente depende muito do passe porque usamos todos os dias. Todo estudante tem que ter direito”, concluiu.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

No início do ano, aproximadamente 106 mil estudantes da Região Metropolitana de Goiânia estavam registrados no PLE. Na ocasião do cadastramento, a Secretaria de Governo (Segov) informou, em nota, que os cadastrados passariam por rigorosa checagem de dados, em que analisariam o preenchimento dos requisitos previstos na lei do PLE.

A pasta antecipou ainda que o programa passaria por mudanças para atender a atual situação financeira do Estado. Além disso, a Superintendência da Juventude iria realizar um levantamento minucioso dos repasses do PLE.

Enquanto isso, os estudantes ficam apreensivos em relação ao futuro do programa, tendo em vista que a atual situação financeira do Estado está impedindo — mesmo que parcialmente —, o cumprimento das necessidades básicas. A Educação, por exemplo, tem relação direta com o transporte público, haja vista que os alunos precisam deslocar-se de suas casas para chegarem às instituições de ensino, e, na maioria das vezes, o percurso é distante.

Avaliação Parlamentar

Em entrevista ao Jornal Opção, a deputada Lêda Borges (PSDB) avaliou as alterações implícitas ao programa Passe Livre Estudantil. Para ela, primeiramente, é importante entender que a vulnerabilidade dos jovens não é unicamente econômica e financeira. “Os jovens possuem várias vulnerabilidades. O risco da criminalidade é uma delas”

Para ela, “quando você retira o benefício desses jovens, que mesmo não estando no programa Bolsa Família ou no Renda Cidadã não deixam de ser jovens nem de precisar do transporte, é o mesmo que retirar um direito assegurado a juventude”.

Por fim, a parlamentar considerou ser “totalmente contra uma política seccionista”. “Quem anda de ônibus não anda porque quer e sim porque precisa”, finalizou.

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