Passamos pelo Chile. Passaremos pela Colômbia?

Neste Mundial, foi a segunda vez que a seleção não consegue ganhar de um adversário um pouco mais qualificado. E vem aí gente mais forte

Foi por pouco. Pra ser mais exato, por menos de meio palmo. Era o que bastaria para que a bola chutada no travessão pelo atacante Pinilla no fim da prorrogação entrasse no gol de Júlio César e encerrasse a participação brasileira na Copa em casa.

Mas não foi assim que aconteceu, para o bem de todos e felicidade geral da Nação. Estamos nas quartas de final a duras penas, mas, se tinha uma seleção que merecia vencer esse jogo duro, seria a de amarelo, porque várias vezes o Chile apelou para o antijogo, fez cera e muitas faltas. Enrolaram e o Brasil, perdido em campo, não conseguiu se desenrolar.

Hulk seria o cristo da vez – e, sim, o fracasso brasileiro levaria ou levará à crucificação de alguém, obviamente – se o Brasil saísse fora. Entregou a bola para o gol do Chile, fez um gol irregular e ainda errou sua cobrança de pênalti. Neymar, com o peso do mundo nas costas ao dar o chute final, e Júlio César o salvaram.

Júlio César defende o primeiro pênalti cobrado pelo Chile | Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Júlio César defende o primeiro pênalti cobrado pelo Chile | Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Durante os 120 minutos, o Brasil foi uma desorganização total em campo. Não conseguiu criar e não consegui se defender. Fred não fez nada, um pouco porque não está em boa fase e um pouco porque só sabe fazer gol e a bola precisa chegar até ele para isso, mas não chega. Aí a gente tem Jô para substituí-lo. Sem comentários. O time chora muito – no hino, nos gols, na parada pros pênaltis, para comemorar a vitória etc. Se jogasse o tanto que verte lágrimas, estaríamos fazendo uma Copa memorável. Aliás nada memorável, vale ressaltar, foi a vaia a quem cantava o hino do Chile. Coisa feia, digna de vergonha alheia, cometida pela torcida no Mineirão. Falta de educação na alta.

Neste Mundial, já é a segunda vez que a seleção não consegue ganhar de um adversário um pouco mais qualificado. Neymar e seus companheiros também não conseguiram vencer o México, que deve ser eliminado neste domingo, 29, pela Holanda.

O problema é a Colômbia

Para quem gosta de números, o Brasil nunca foi campeão mundial tendo empatado mais de um jogo na campanha. Mas isso é o de menos. O problema é menos estatístico do que futebolístico: o problema é a Colômbia, o próxima rival.

Se o Brasil tem um craque, Neymar, eles também têm. Quem pensou que o astro Falcao García fora enfraqueceria os colombianos hoje dá graças a Deus por ele não fazer companhia no time a James Rodríguez. O meia, jogador do francês Monaco, é o artilheiro da Copa depois da rodada de ontem, com cinco gols, e foi considerado o craque da 1ª fase do torneio.

James Rodríguez, o Neymar colombiano: o craque da Copa até agora

James Rodríguez, o Neymar colombiano: o craque da Copa até agora

Autor do placar de 2 a 0 que tirou o Uruguai do Mundial, James usa a camisa 10 com propriedade: tem raro domínio de bola, dá passes com precisão e é frio e certeiro nas finalizações com a perna canhota. Organiza o meio de campo da Colômbia, que toca a bola muito melhor do que a seleção brasileira – que, aliás, não é grande coisa, infelizmente para nós. A linha de passe que levou ao segundo gol dele neste sábado mostra que os colombianos sabem o caminho colaborativo para ganhar uma partida: não dependem só de James, como o Brasil depende, em muito, de Neymar.

Quem naturalmente marcaria James no jogo das quartas de final seria Luiz Gustavo. Mas o volante brasileiro está suspenso por ter levado o segundo cartão amarelo. Ou seja, além de não conseguirmos criar tão bem, teremos problemas também para marcar com a mesma qualidade.

Não fosse o fato de o Brasil jogar em seus domínios, diria que a Colômbia teria favoritismo para chegar às semifinais. O peso de estar em sua terra pode equilibrar as coisas para a seleção. Mas, se houve altas emoções contra o limitado Chile, imaginem contra uma equipe muito mais preparada. E nem estou falando de Holanda ou Alemanha.

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