Parlamentares goianos reagem à liberação de mais R$ 1 bilhão em verbas apadrinhadas

Ministério da Saúde nega que a verba seja distribuída segundo critérios políticos para assegurar votos da base em votações sensíveis como a prorrogação do Fundeb e afirma que definiu critérios técnicos para a distribuição de recursos

Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

O governo federal, por meio do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, sinalizou que pode liberar mais R$ 1 bilhão em verbas de combate ao coronavírus a prefeituras indicadas por deputados e senadores. O recurso visa frear a insatisfação de parlamentares com a articulação política do governo e assegurar votos da base em votações sensíveis como a prorrogação do Fundeb. A informação é de O Globo.

Para o deputado federal Elias Vaz (PSB), a política de liberar recursos em troca de votos é a velha política do toma lá dá cá. “Eu não concordo com isso porque penso que o Parlamento tem que votar de acordo com a sua consciência do que é bom ou ruim para a sociedade. E não de acordo com as benesses que recebe”, avalia.

“Essa é uma prática que foi de outros governos no passado e que, em minha opinião, infelizmente continua nesse governo”, arremata Vaz. O parlamentar também se posicionou sobre as mudanças em discussão no texto do Fundeb. “Defendo que o Fundeb seja permanente e sou contra qualquer tentativa de reduzir o índice de 20% de aporte, defendido pela relatora do projeto na Câmara Federal”, destaca.

Outro deputado federal que se posicionou contra a iniciativa da gestão Jair Bolsonaro foi Rubens Otoni (PT). Ao Jornal Opção, o parlamentar disse que a prática de apadrinhamento é nociva. “Essa distribuição de verbas segundo a conveniência do governante e não por critérios de gestão, é o que existe mais nocivo e antigo na política atrasada do toma lá dá cá”, diz.

“Precisa ser denunciado. Defendo verbas para todos os municípios, independente de apadrinhamentos”, completa o petista ao defender a votação imediata do Fundeb, seguindo o que está no texto da relatora. “Esse relatório expressa o entendimento político entre as várias bancadas e garantirá educação pública, gratuita e de qualidade a milhões de crianças , adolescentes, jovens e adultos por todo o país”, defende Otoni.

Já o Ministério da Saúde nega que a verba seja distribuída segundo critérios políticos e afirma que “em conjunto com os representantes dos secretários estaduais e municipais de saúde, Conass e Conasems, definiu critérios técnicos para a distribuição de recursos previstos na portaria”.

Contraponto

Já o senador Vanderlan Cardoso (PSD) não concorda que a liberação desses recursos tenha como objetivo frear a insatisfação de parlamentares com a articulação política do governo ou assegurar votos da base. ” Vejo como uma promessa de campanha sendo cumprida. E aplaudo essa atitude por que, finalmente, os recursos estão chegando na população. Como disse, fui prefeito e sei o quanto sempre foi complicado nossas idas a Brasília atrás de benefícios para nossos municípios. Torço para que, finalmente, chegue o dia que isso acabe, e que os recursos sejam enviados aos municípios sem precisar dessa procissão em direção à Brasília”, pontuou.

Em relação ao Fundeb, o parlamentar defende sua manutenção e acredito que o consenso será construído junto ao Executivo. “O novo ministro da Educação, professor Milton Ribeiro, chegou a pouco no MEC e já está se familiarizando com essa PEC. Tenho certeza de que será possível construir junto com o Executivo, que é quem tem a chave do cofre, as melhores saídas para possíveis pontos polêmicos dessa proposta. É indiscutível a importância do Fundeb, por isso o caminho é a convergência”, analisa.

A reportagem também entrou em contato com o Major Victor Hugo, líder do Governo na Câmara Federal, por meio de sua assessoria, mas o parlamentar ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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