Peemedebista ganhou eleição apostando nas críticas a Marconi Perillo (PSDB). No entanto, dias após assumir, firmou parceria com o governador

Após a reunião, Iris disse que diferenças de campanha não poderiam interferir no governo. Na campanha, no entanto, ele acusou Marconi de “quebrar” os cofres públicos | Foto: Reprodução

O governador Marconi Perillo (PSDB) e o prefeito Iris Rezende (PMDB) se encontraram na manhã da última sexta-feira (20/1) para firmarem uma parceria entre o governo do Estado de Goiás e o da capital, Goiânia.

Agora, Marconi irá compartilhar com a Prefeitura de Goiânia softwares do Estado nas áreas de recursos humanos e notas fiscais, além de ceder servidores estaduais para que a Secretaria de Finanças consiga, com essa equipe, dimensionar gastos e achar uma solução para as contas.

[relacionadas artigos=”85166″]

Com as medidas, a expectativa da prefeitura é reduzir o trâmite burocrático e modernizar o sistema municipal, economizando cerca de R$ 10 milhões. Segundo Iris, o déficit mensal da administração municipal chega a 30,7 milhões e, além disso, ele já teria assumido com R$ 800 milhões a pagar, deixados pela gestão Paulo Garcia (PT).

Na reunião, Iris disse que suas diferenças de campanha com Marconi não podem interferir na gestão e que, juntos, fariam um trabalho conjunto em Goiânia, dando exemplo para outros prefeitos e governadores pelo país.

É bem verdade que são momentos distintos e que se espera que os dois tenham uma atitude republicana, pelo bem da população. No entanto, chama a atenção a mudança repentina no discurso de alguém que se elegeu criticando Marconi. Durante a campanha, o peemedebista não só criticou intensamente o governador como também o acusou de “quebrar” o Estado.

Depois, no segundo turno, Iris apostou na associação do então adversário, Vanderlan Cardoso (PSB), com o governador, apontando a aliança como algo negativo. Além disso, ele também criticou intensamente o fato de que Vanderlan, que disputou o Governo do Estado em 2014 contra Marconi Perillo, tivesse mudado de ideia e o aceitado como aliado. Ora, não é essa a postura de Iris agora?

Onde está o gestor?

Outro argumento central da campanha de Iris foi a sua capacidade como gestor. Durante toda a disputa, o próprio prefeito e seus aliados destacavam que o peemedebista tinha muita habilidade para tocar uma administração e “organizar a casa”.

Não só a capacidade de Iris acaba sendo colocada à prova, como também a de seus secretários. Por que motivo eles estão nos cargos, se o prefeito procura o governador para ajudar na sua gestão? Iris confia no seu secretariado ou eles têm funções decorativas? E os servidores da própria prefeitura? Ao locar cinco técnicos do Estado na Secretaria de Finanças, ele não estaria depreciando os funcionários do Executivo Municipal?

Saneago

Também chamou a atenção a calma de Iris para tratar da Saneago, um dos pontos centrais de sua campanha. Durante o período eleitoral, ele disse que a concessão do serviço de água e esgoto ao Estado era um “golpe contra a cidade de Goiânia” e prometeu “levar o povo às ruas”, caso necessário, para retomar o controle do serviço. Agora, porém, amenizou o tom e disse apenas que encaminhou um ofício ao governador e pretende debater o tema com ele.