Para Rubens Otoni, eleição de novo presidente muda pouca coisa na Câmara dos Deputados

Segundo o deputado federal, a escolha de Rodrigo Maia (DEM) significa a continuidade de uma agenda conservadora e alinhada ao governo interino de Michel Temer (PMDB)

Deputado federa Rubens Otoni (PT) afirma que MP do seguro-desemprego não tira direito dos trabalhadores | Foto: Ascom/Câmara dos Deputados

Deputado federa Rubens Otoni (PT)| Foto: Ascom/Câmara dos Deputados

Apesar de receber o apoio do PT no segundo turno das eleições da presidência da Câmara dos Deputados, para o representante petista de Goiás na Casa, deputado federal Rubens Otoni, a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) pouco muda o cenário no Congresso. “Infelizmente, muda pouca coisa Câmara. A expectativa é de que a agenda continue conservadora e em sintonia com o governo interino” disse Rubens Otoni em entrevista na manhã desta sexta-feira (15/7).

Ele ressalta porém, que a vitória de Maia sobre Rogério Rosso (PSD-DF) tem seu lado positivo. “É uma derrota de qualquer maneira, mas com Maia, o lado positivo é a diminuição da influência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados”, disse Otoni.

No início da madrugada da última quinta-feira (14/7), Rodrigo Maia foi eleito em segundo turno com 285 votos para o mandato tampão na presidência da Câmara Federal, derrotando o candidato favorito do Centrão, aliado de Cunha e presidente da comissão que avaliou a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff na Câmara, Rogério Rosso, que ficou com 170 votos.

Para o deputado goiano, o apoio dos partidos de esquerda ao candidato do Democratas no segundo turno foi natural e analisa a postura das siglas em apresentarem uma candidatura coesa no 1º turno. “Eleição é assim enm todo lugar. Temos o primeiro turno, mas no segundo, temos que acompanhar um dos candidatos que estiverem no pleito. Não conseguimos ir para o segundo turno porque o bloco ligado à presidenta Dilma foi para os 1º turno com três candidatos, do PSOL, PCdoB e o Marcelo Castro que, apesar de ser PMDB, é ligado à presidenta, foi seu ministro e votou contra o golpe. Se tívessesmos unificado em apenas uma candidatura, poderíamos ir para o segundo turno”.

No primeiro turno, o candidato do PCdoB, Orlando Silva, recebeu 16 votos, Luiza Erundina, do PSOL, recebeu 22 e Marcelo Castro, do PMDB, teve 70. Se somados, dariam 108 votos, dois a mais do que o número que levou Rogério Rosso ao segundo turno.

Governo interino e impeachment

Em visita à Goiânia para realização de seminário do PT Goiás destinado aos pré-candidatos do partido no Estado, Rubens Otoni falou ainda sobre os primeiros meses do governo interino de Michel Temer (PMDB), que assumiu a presidência depois que Dilma Rousseff (PT) foi afastada, em 12 de maio.

“Esses dois meses de governo interino serviram para mostrar para a sociedade aquilo que já dizíamos e tem ajudado na consciência da população, que agora está tendo condição de perceber o que realmente eles queriam. Querem colocar uma agenda conservadora, ligada à uma elite política e econômica do País que faz com que, em diversos setores como Saúde, Educação, direitos trabalhistas, essa agenda já está se apresentando”, disse o deputado federal.

Rubens Otoni analisa ainda que o tudo isso pode ser fator determinante para que Dilma Rousseff não seja afastada da presidência de maneira definitiva. “Não precisamos mais alertar a sociedade sobre os interesses que estavam por trás do pedido de impeachment. Tanto é verdade que aqueles que se manifestaram, até de maneira entusiasmada, hoje já não têm mais a mesma posição. E isso também influencia também no Senado. O jogo está em aberto, sabemos que não será um jogo fácil mas, de qualquer forma, acreditamos que há um espaço de convencimento e continuamos trabalhando para que haja os votos necessários para impedir o afastamento definitivo”, analisou Otoni.

“Aquele discurso de que o afastamento da presidente seria a solução para os problemas do País, que afastar a Dilma do cargo era uma maneira de combater a corrupção, o governo interino serviu para provar que tudo isso não era verdade, muito pelo contrário. Os problemas se aprofundaram e o que estamos vendo é uma tentativa de evitar que as investigações cheguem àqueles que estão diretamente ligados ao governo interino”, sentenciou.

Pré-campanha

Junto a outros petistas, Rubens Otoni participa nesta sexta-feira (15/7) o seminário “Preparando para vencer as Eleições 2016”, que acontece durante todo o dia no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa de Goiás. Sobre o evento, Otoni comentou os principais pontos a serem abordados neste seminário preparatório. “O objetivo é contribuir com o PT em Goiás para a formação de lideranças. Este ano temos um grande desafio e a preocupação é fazer com que os nossos dirigentes possam ter uma participação com conteúdo, capacidade e competência fazer diálogo com sociedade, levando nossas propostas”.

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