Para professor, Enem Seriado beneficia sistema de avaliação, mas momento de implantação é estranho

De acordo com o professor de Língua Portuguesa Carlos André, o Ministério da Educação deveria ter outras prioridades, como medidas de evitar propagação da Covid-19 em realização de Enem 2020

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Com a assinatura da portaria nº 458, de 5 de maio, do Ministério da Educação, fica estabelecido a partir de 2021 o Enem Seriado. Ele prevê a avaliação do aluno em cada uma das séries do ensino médio. Desta forma, ele irá funcionar mais ou menos como o Programa de Avaliação Seriada (PAS), realizado pela Universidade Federal de Brasília (UNB) ou como o Programa de Avaliação Seriada de São Paulo (PASUSP), feito pela Fuvest, conforme exemplificou o professor de Língua Portuguesa e Redação, Carlos André.

O professor elogiou a adesão da medida pelo Ministério da Educação e afirmou que é fundamental compreendermos que é preciso um sistema lógico de avaliação seriada. “É preciso compreender que a educação brasileira exige um sistema de avaliação. Por isso o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) prevê isso por meio dessa portaria”, disse. “Os alunos serão avaliados no primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio e as notas serão juntadas para que no terceiro ano seja avaliada a questão da vaga por meio de um sistema. Mas o aluno não precisará necessariamente escolher entre um [Enem comum] e outro [Enem Seriado]”, explicou Carlos André.

“Em teoria, o Sistema Educacional Brasileiro será mais beneficiado, por ter dados mais consistentes sobre a lógica do processo educacional. Fazer uma prova só após anos de estudo, embora haja essa prova no quarto ou quinto ano do ensino fundamental, não é eficiente. A eficiência é a lógica da seriada, uma tendência da vida de verificar diariamente. O ideal seria essa a lógica de avaliação”, pontuou.

No entanto, ele questiona o momento em que a decisão é tomada. “Vem em um momento um pouco estranho, pois precisamos de definições básicas para este ano especificamente. É a nossa percepção. Deixar de política de governo, mas fazer política de Estado para o Enem. É eficaz, a ideia [do Enem Seriado] é muito boa. Mas há problemas que chamam bastante atenção e, esse decreto nesse momento especificamente, embora bem-vindo, pois a Saeb trabalhará de maneira mais qualificada, e os problemas contemporâneos?”, indagou o professor.

Entre os principais problemas apontados por ele, está a definição de medidas para evitar a contaminação pela Covid-19 no momento da prova, caso ela ocorra neste ano. “Não deixaram claras as medidas para combater o coronavírus. Não se sabe as medidas profiláticas e sanitárias para isso. São medidas fundamentais”, afirmou. “O Enem do ano passado teve problemas com coisas básicas como correção de provas. Falhou. Nem o Sisu não está bem definido, não se sabe se haverá Exame Nacional do Ensino Médio neste ano”, apontou.

Cobrança

De acordo com Carlos André, é muito provável que o Enem Seriado também exija uma taxa de inscrição, tal como a versão já conhecida da prova. “Certamente haverá cobrança em razão do custo. O documento não fala a respeito disso, mas é previsível, eu imagino, em razão do próprio custo que a União tem para fazê-la”, opinou.

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