Das 33 feiras especiais da capital, apenas a Feira Hippie não aceitou condições impostas pelo poder público para retornar. Prefeitura alega que grande movimentação da região na sexta agrava risco de contágio pela Covid-19

Feira Hippie em pleno funcionamento | Fernando Leite/Jornal Opção

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec) e a Associação da Feira Hippie se reuniu na manhã desta segunda-feira, 27, para deliberar sobre a demanda dos feirantes de funcionamento às sextas-feiras. Das 33 feiras especiais existentes na capital, apenas a Feira Hippie não retomou as atividades e não aceitou as condições impostas pelo poder público para funcionamento.

De acordo com o presidente da Associação da Feira Hippie, Valdivino da Silva, o titular da Sedetec, Walison Moreira, ouviu a demanda dos feirantes e deve encaminhá-la ao Comitê de Gestão de Crise para uma decisão seja tomada em conjunto. A previsão é que o veredito para o impasse saia na próxima quarta, 29.

“Ele vai ter uma reunião com o Comitê de Crise sobre um dia nosso, que é o funcionamento da sexta-feira. Nós vamos cumprir com todos os protocolos de segurança, mas a gente não abre mão da sexta”, afirmou Valdivino. O cliente de compras do interior vai embora às 4h da sexta. A gente perde 50% das nossas vendas”, defendeu.

“Lutamos tanto. Há mais de três anos trabalhamos na sexta. Se tirar esse dia da Feira Hippie, ela tende a pedir falência”, disse o presidente. Segundo Valdivino, supostos feirantes que montaram bancas na Região da 44 não representam a Feira Hippie. “São invasores e estão usando o nosso nome. Não tem isso. Estamos todos fechamos e não aceitamos essa manobra”, falou ao Jornal Opção.

Já de acordo com o Walison Moreira, a liberação a sexta-feira, não se trata apenas de uma questão econômica. “É uma questão sanitária, devido ao alto risco de contágio”, afirmou. “Vou levar ao Comitê de Crise, que envolve a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT), Guarda Civil Metropolitana (GCM), Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam), Fiscais de Postura, Secretaira de Saúde (SMS) e essa decisão será tomada em conjunto.”

“Eles explicaram a necessidade deles. Disseram que a feira se transformou em um comércio atacadista. Na sexta, as pessoas vêm do interior, de outras cidades e de outros estados, e que esse é o melhor dia do feirante vender. O feirante da Feira Hippie não é mais aquele feirante do varejo que vende para a família goianiense. Ele virou atacadista”, relata.

Região de alto risco

“Já a Prefeitura entende que a sexta-feira é um dia muito perigoso por risco de contágio. Primeiro que vêm pessoas de outras cidades, a quantidade de gente é muito grande. A aglomeração de pessoas em toda aquela região já é um problema. Também em razão de transversais da Avenida 44 estarem interditadas, o trânsito ficaria muito complicado, intransitável. Além disso, também tem o movimento devido à rodoviária. Na sexta, muitas pessoas estão saindo e retornando de viagem. Então, sexta é um dia muito problemático para a região”, argumentou.

Ele também explica que os feirantes não têm permissão de funcionamento para sexta-feira, apenas aos sábados e domingos. “A Prefeitura não está retirando nada deles. Há mais de um ano foi precluído um acordo entre a Prefeitura e os feirantes para que eles pudessem funcionar na sexta-feira, até que as obras de revitalização da Praça do Trabalhador começassem. Começou há mais de um ano. Então há mais de um ano eles não podem funcionar na sexta-feira”, informou Walison.

O secretário disse que, apesar das determinações da associação para o não funcionamento no último final de semana, muitos feirantes relataram o desejo de terem retomado as atividades. Walison conta que sugeriu aos representantes da associação que tratassem o assunto de duas formas diferentes. “Uma coisa é liberar a sexta-feira para a feira trabalhar. Este é um assunto. Outro é a retomada da feira. Podemos e deveríamos retomar a feira aos sábados e domingos, que é o dia dela. Começa devagar, seguindo os protocolos, mostrando que está fazendo o trabalho direitinho”, falou.

“Querem abrir na sexta, porque na sexta dá muita gente. Mas olhando a perspectiva epidemiológica, não poderiam abrir na sexta justamente porque dá muita gente. Eles estão olhando apenas da perspectiva econômica e ignoram que aquela região tem um risco de contaminação muito alto”, afirmou o titular da Sedetec.