Relação de Meirelles com JBS não afeta governo Temer, avalia Mabel

Ex-deputado disse que o fato do ministro da Fazenda ter sido presidente do Conselho de Administração da J&F não tem qualquer influência em sua atuação 

Para o ex-parlamentar Sandro Mabel (PMDB), fato de Meirelles ter deixado o controle administrativo do grupo que controla a JBS não interfere em sua atuação "profissional" como ministro da Fazenda | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Para o ex-parlamentar Sandro Mabel (PMDB), fato de Meirelles ter deixado o controle administrativo do grupo que controla a JBS não interfere em sua atuação “profissional” como ministro da Fazenda | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

No dia 12 de maio, o executivo natural de Anápolis Henrique Meirelles, de 70 anos, foi confirmado, na posse dos ministros do governo federal interino de Michel Temer (PMDB), como ministro da Fazenda. Antes de aceitar o cargo na equipe do peemedebista, Meirelles atuava como presidente do Conselho de Administração da J&F, que controla sete empresas, entre elas a JBS.

A JBS é conhecida, além de sua grandeza no mercado de carnes como a maior do mundo no setor, pelos empréstimos contraídos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para o ex-deputado federal por Goiás Sandro Mabel (PMDB), que atua nos bastidores do governo Temer, não há qualquer questionamento a ser feito sobre a entrada de Meirelles na equipe de ministros do presidente interino.

“Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O ministro Henrique Meirelles é muito profissional, além de ter sua competência comprovada por todos os cargos que ocupou em sua vida, tanto na inciativa privada como em governos”, sustentou.

Mabel destacou a capacidade de Meirelles para ocupar o cargo de ministro da Fazenda, com seu currículo que inclui a presidência do Conselho da J&F Investimentos e do BankBoston.

Já a relação da JBS com empréstimos vindos do BNDES foi tratada como natural ao analisar a posição de Meirelles no governo, que era presidente do Conselho Administrativo da empresa que cuidava da JBS.

Veio de Meirelles a afirmação divulgada pela Folha de S.Paulo de que o BNDES está em boa situação financeira e fará pagamento antecipado de R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional nos próximos dois anos, com capacidade de dar prosseguimento aos programas de financiamento, com inclusão de possíveis concessões.

“O BNDES tem caixa suficiente para não só fazer a devolução desse excesso de recursos, mas também para cumprir todo o cronograma de empréstimos e participação no programa de concessões. Chegou-se à conclusão de que esses recursos estariam ociosos no BNDES por esse período”, afirmou Meirelles.

De acordo com o ministro da Fazenda, o BNDES devolverá R$ 40 bilhões de imediato aos cofres da União, além de outros R$ 30 bilhões em um ano e mais R$ 30 bilhões no ano seguinte. São valores aplicados em títulos públicos que não foram utilizados, explicou o titular da pasta.

Falta só resolver a dúvida jurídica levantada na equipe do governo se é possível realizar essas operações de devolução desses empréstimos aos cofres públicos federais. Na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) existe restrição a essas devoluções de recursos, o que será avaliado pela União para viabilizar essa medida para a próxima semana o texto.

Temer também defendeu que se verifique a legalidade dessa operação de pagamento antecipado para reduzir a dívida pública, com economia estimada em R$ 7 bilhões anuais no pagamento de juros com o dinheiro do financiamento sem ter de recorrer ao mercado.

“Foi levado em conta toda a programação de investimentos e de crédito do BNDES para esses próximos dois anos. Isso significa que está muito bem equacionado o programa do BNDES. Esses recursos estavam ociosos, causando um custo adicional ao Tesouro, que tem de se financiar no mercado”, declarou o ministro da Fazenda.

Dívidas dos Estados

O ex-deputado Sandro Mabel também informou que está nas mãos de Meirelles a análise de uma proposta viável para a União e os Estados para negociar o pagamento das dívidas dos governos estaduais junto ao Executivo federal, com a possibilidade de flexibilização da quitação dessas parcelas. “O ministro trabalha para ver o que pode ser feito para achar a melhor solução.”

Mabel afirmou que as políticas a serem adotadas pelo governo Temer, que incluem possíveis reformas, darão o tom da retomada econômica necessária para reverter o quadro de paralisia financeira e solucionar a questão do alto índice de desemprego.

Segundo ex-parlamentar por Goiás, com a volta do crescimento, a União passará novamente a dar fôlego à iniciativa privada, que será capaz de ser reaquecida e voltar a investir.

Caso Jucá

O pedido de licença do ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB) é tratado com naturalidade por Mabel, sem qualquer reflexo ou crise no governo Temer. Para o ex-deputado, esse é um problema do próprio Jucá, que deverá lidar com a situação e se explicar quando solicitado. Já a União não teria saído afetada da divulgação da gravação da conversa.

Uma resposta para “Relação de Meirelles com JBS não afeta governo Temer, avalia Mabel”

  1. Avatar vicente araujo disse:

    Peraí… então, se a JBS é do filho do Lula…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.