Para economista, o superávit nas contas externas é positivo. Mas não alivia bolso do brasileiro devido a alta inflação

Com superávit de US$ 1,684 bilhão em agosto, as contas externas brasileiras têm resultado melhor do que estimavam analistas do mercado financeiro

As contas externas brasileiras tiveram superávit de US$ 1,684 bilhão em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado veio melhor do que estimavam analistas do mercado financeiro, que apontavam para uma alta de US$ 1 bilhão. Em junho, o país havia registrado déficit de US$ 1,5 bilhão.

De acordo com a economista e analista de mercado, Greice Guerra, os números favoráveis são em decorrência do alto preço das commodities no mercado internacional, ponto definitivo que alavancou o superávit; a retração das viagens internacionais, devido a pandemia e alta do dólar; e a redução nas transferências de rendas e serviços para outros países

“O superávit no Brasil é mais em função de um déficit do que de um crescimento de investimento, principalmente, internacional. É positivo porque significa que a nossa produção está autossustentável, sobretudo, devido ao agronegócio. Estamos dando conta de produzir, consumir e ainda exportar. O país, mesmo com a pandemia e a instabilidade global, está conseguindo se manter pelo menos a nível de produção”.

Em 12 meses, o Brasil tem déficit em transações correntes de US$19,5 bilhões (1,23% do Produto Interno Bruto). As transações correntes do setor externo são formadas pela balança comercial, pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas, como remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.

Greice Guerra alerta que mesmo com o superávit nas contas externas, o maior problema no país é a inflação, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo IPCA em torno de 1,14%.

“É positivo crescer a nível de contas externas, mas precisamos ter investimento externo no Brasil para gerar emprego e renda, aumentar a arrecadação para o estado. Nós estamos deficitários disso em função da instabilidade política que vivemos no país, elevado fiscal e as intempéries que o presidente da República causa entre as instituições”.

Para a economista e analista de mercado, a crise econômica é global, no entanto, como no Brasil não há estabilidade “sofremos maiores impactos que corrói o poder aquisitivo da população. É em função da inflação que as contas estão cada vez mais elevadas. Energia, combustível e o preço dos alimentos, com o dólar que não abaixa consequência da pandemia”.

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