Para delegado, situação de boate onde homem foi morto no sabádo é irregular

Autor do crime entrou dentro da casa noturna com uma arma branca dentro da bolsa. Depois de esfaquear a vítima o suspeito fugiu a pé

Nesta segunda-feira (9/6) seria o aniversário de Vilmony Mendes Queiroz, mas na tarde de hoje seu corpo será enterrado em Israelândia, cidade a cerca de 200 quilômetros da capital. No último sábado (7/6), o rapaz e alguns amigos saíram de casa para festejar seu 35º aniversário. O local escolhido para a comemoração foi a boate LGBT Total Flex Club, que fica no Setor Oeste, na Avenida República do Líbano, região nobre da capital. Depois de um desentendimento, por volta das 4h, Vilmoney foi esfaqueado por um travesti na pista de dança. Os golpes o atingiram no peito.

Casa Noturna GLBTS Total Flex | Foto: Reprodução Facebook

Casa Noturna Total Flex | Foto: Reprodução Facebook

O Corpo de Bombeiros foi chamado para prestar socorro, mas quando a equipe chegou o rapaz já estava morto. Segundo testemunhas, depois de desferir dois golpes na vítima, o suspeito fugiu a pé.  As investigações ficarão por conta do delegado Hellyton Carvalho, da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH). Na manhã de hoje o delegado instaurou o inquérito.

Ouvido pelo Jornal Opção Online, o delegado disse que esteve no local e que a situação da casa noturna é insalubre. Nenhum alvará de funcionamento ou da vigilância sanitária foi apresentado para as autoridades. “Comprovado esses fatos a boate estaria irregular. Havia até preservativos no chão. Nos disseram que há frequência no uso de drogas lá dentro. O autor de crime entrou com uma arma branca dentro da bolsa. Vamos investigar a segurança e as condições de funcionamento”, afirmou Hellyton Carvalho.

Em entrevista, a presidente do Conselho Estadual de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Estado de Goiás (LGBTT), Elaine Gonzaga, disse que a falta de alvarás é um problema burocrático que acontece também em outros estabelecimentos. “O caso de Vilmoney é complicado, pois o motivo do crime foi uma briga dentro da boate, se configurando um problema de segurança. Em casas noturnas ‘héteros’ pessoas também entram armadas. Não acontece apenas em boates GLS”, acentuou.

Imagem interna da boate Total Flex | Foto: Reprodução Facebook

Imagem interna da boate Total Flex em um dia de casa cheia | Foto: Reprodução Facebook

Elaine Gonzaga frisou que há alguns anos, quando a Total Flex Club se chamava Boate Jump, um travesti foi morto por outro. As circunstâncias também foram as mesmas. “Na época a boate fechou e reabriu as portas com o nome de Total Flex”.

Em 9 de setembro de 2012 um rapaz de 20 anos foi agredido por um travesti dentro de uma outra boate. “Do nada eu percebi que um grupo estava me seguindo. Não tinha motivos aparentes para isso. Um amigo me levou para um dos camarotes, lá fui agredido. Ela quebrou uma garrafa de cerveja na minha cabeça e com o estilhaço ela perfurou meu pescoço e cortou meu braço”, contou o rapaz à reportagem. Ele prefere não se identificar. Na época, ele foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para o Cais de Campinas. Na unidade de saúde, o jovem levou dez pontos no pescoço e quinze no braço. Depois do crime, a família procurou as autoridades e abriram um boletim de ocorrência. Nada foi feito contra o agressor.

O irmão de Vilmoney, o pastor da Assembleia de Deus, Léo Bruno, relatou que o golpe sobre o peito foi fatal. “Atingiu o coração do meu irmão”, explicou. O delegado vai começar hoje a ouvir as testemunhas do assassinato de Vilmoney para identificar o autor do crime. A reportagem tentou falar com a dona da boate, mas até o fechamento da matéria não havia conseguido. Os números do estabelecimento disponibilizados na internet não foram atendidos.

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