Papa emérito admite que esteve em reunião sobre abuso sexual de crianças

Bento XVI era arcebispo na época e negava acusações. Em relatório, foi divulgado que os crimes ocorreram durante décadas na Arquidiocese de Munique

O papa emérito Bento XVI admitiu, nesta segunda-feira, 24, que estava presente na reunião de 1980 sobre um caso de abuso sexual. Na época, Bento XVI era arcebispo de Munique, na Alemanha. Um relatório investigativo do caso foi concluído na última quinta-feira, 20, em que foi decidido que o papa sabia sim dos padres que abusaram de crianças entre os anos de 1977 a 1982.

Também neste dia, durante uma entrevista coletiva, os advogados que investigaram os abusos questionaram a afirmação de Bento XVI. Em um documento de 82 páginas, o ex-papa, de 94 anos, disse que não se lembrava de ter comparecido à reunião de 1980. Uma nota enviada hoje pelo secretário-pessoal do representante religioso, George Ganswein, informa que a omissão foi resultado de “descuido na edição do comunicado” e que Bento não teria agido “de má fé”. “Ele [o ex-papa] sente muito por esse erro e pede para ser desculpado”, disse Ganswein. O secretário afirmou ainda que Bento pretende explicar como o erro aconteceu após examinar o relatório, de quase duas mil páginas, enviado eletronicamente na última quinta-feira. 

Investigação realizada de forma independente e feita a pedido da Igreja Católica mostra que, até o momento, pelo menos 497 pessoas sofreram abuso na arquidiocese de Munique-Freising, entre os anos de 1945 a 2019. Segundo resumo do relatório, publicado em 20 de janeiro e preparado pelo escritório de advocacia Westpfahl Spilker Wastl (WSW), grande parte das vítimas são do sexo masculino, além de terem entre 8 a 14 anos.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.