Pandemia aumentou o hábito de leitura entre os brasileiros

No Dia Nacional do Livro, o autor de Liber IMP, André Garcia, conta que conseguiu publicar seu primeiro livro em uma editora após 15 anos de tentativas

O escritor André Garcia e seu livro Liber IMP| Foto: Marcos Homem

O Dia Nacional do Livro, comemorado hoje (29), apresenta um ponto positivo, pois a pandemia da covid-19 fez com que a população de todo o mundo passasse por isolamento social e, com isso, muitas pessoas adquiriram ou voltaram ao hábito da leitura. 

Com as livrarias fechadas no início da pandemia, nos primeiros quatros meses – entre março e junho de 2020, o mercado foi de incerteza. Com a volta gradual da economia, houve um aumento significativo nas vendas de livros em geral, de acordo com Marcos Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). 

Dificuldades

O escritor André Garcia conta das dificuldades da profissão e o quanto é penoso publicar um livro no Brasil. “Embora já escreva há 15 anos, foi somente em 2021 que consegui finalmente publicar meu primeiro livro. Livrarias e editoras parecem que estão sempre em crise e com poucas fichas para apostar, investem em apostas seguras, de retorno imediato e garantido. Eu entendo o lado delas. Só que, com isso, elas se fecham em um tipo de literatura que exclui aqueles que, assim como eu, experimentam e ousam coisas diferentes para oferecer ao leitor. Uma experiência única em meio a um mar do mais do mesmo”, lamenta ele. 

Autor do livro de contos, Liber IMP, Garcia ressalta que antes de conseguir publicar em uma editora, só lhe restava as edições independentes, o que significa para um escritor, arcar com todos os custos. “E mesmo depois de publicado, os autores não conseguem promover seus livros, que acabam encalhados sem chegar nem perto de se pagar. Para um escritor brasileiro independente não tem tempo de crise, é crise todo tempo”, descreve. 

O escritor André Garcia e seu livro Liber IMP| Foto: Marcos Homem

Mesmo com todas as dificuldades, ele admite que o brasileiro está lendo muito mais e credita isso ao à internet. “O que eu enxergo como um sinal, é que hoje um escritor não pode estar apenas no seu livro, é preciso também estar presente na internet e ser alguém que as pessoas busquem no Google para ter chance de sobreviver nesse ‘admirável mundo novo’”, descreve. .

Vendas

A quantidade média de livros consumida pelo brasileiro é de apenas 2,5 livros inteiros por ano. Neste ano o setor cresceu de forma robusta, inclusive superando 2019, período anterior à pandemia. O Painel do Varejo de Livros no Brasil, divulgado pela Snel, demonstrou que, entre janeiro e setembro de 2021 foram vendidos 36,1 milhões de exemplares de livros, um aumento de 39% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

A queda das vendas online de livros não foi diferente nos primeiros meses de pandemia, mas, em um segundo momento, como em outros setores, muitas editoras e donos de livrarias tradicionais  também tiveram que se reinventar e passaram a vender pela internet. Um aumento significativo consumido somente no e-commerce. 

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