Pandemia aumenta casos de violência contra médicos em Goiás

De acordo com presidente do Simego, Franscine Leão, Goiânia é o município com mais número de agressões do Estado. Rede Pública também é campeã em violência contra profissionais da saúde

***Por Fernanda Santos e Mirelle Irene

Agressões aos profissionais de saúde é maior na capital | Foto: Reprodução / ProDoctor

Desde março, quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil e ao Estado de Goiás são relatados por profissionais da saúde aumento nos casos de agressões cometidas por pacientes, como já publicado pelo Jornal Opção. De acordo com a presidente do Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego), a médica Franscine Leão, essa violência tem passado por diversas fases.

“No começo da pandemia, isso ocorria porque as pessoas não aceitavam a condição clínica da doença. Depois, tivemos a fase do enfrentamento, dos atestados de óbitos, a revolta das famílias em relação ao velório em caixão fechado, falta de velório”, conta.

“Agora, vivenciamos a exaustão dos profissionais, o esgotamento dos serviços de saúde e uma sobrecarga desse serviço gerando demora e espera maior desses serviços. Os pacientes ficam exaltados, enraivados, e descontam nas primeiras pessoas que aparecem por ali. Nós somos o foco da agressão verbal e por vezes física.”

Segundo ela explica, as pessoas estão vivenciando, de um modo geral, uma exacerbação nesse momento da pandemia. “A gente observa que a população está mais exaltada, sobressaltada. Essa angústia que a pandemia trouxe consigo faz com que as pessoas não tenham tolerância umas com as outras. Exacerba em um momento de agravamento, adoecimento seu ou de um familiar”, relata.

“Desde que a pandemia começou, as agressões que eram frequentes se tornaram rotineiras. Vivenciamos diariamente agressões verbais, sobressaltos dos pacientes e agressões físicas algumas vezes”, disse Franscine.

De acordo com ela, a principal preocupação do Simego é quanto à exaustão dos profissionais. “Enquanto a população vivencia a pandemia nos últimos dois meses, nós estamos expondo nossas vidas ao risto à cinco meses. Estamos atendendo Covid há cinco meses e exaustos física, emocional e psicologicamente. A gente viver o adoecimento e a morte com tamanha frequência traz sobrecarga emocional para os profissionais de saúde como um todo”, falou ao Jornal Opção.

Locais de maior violência

Ela explica que em todo Estado, Goiânia é o município com maior número de casos de agressões. O sindicato, inclusive, já se reuniu com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para tentar encontrar uma solução para o problema, mas a pasta informou que não há efetivo suficiente da Guarda Municipal Metropolitana (GCM) para cobrir sequer as unidades de pronto atendimento.

“A violência era esporádica e se tornou rotineira. Vamos supor, se acontecia uma vez por mês para quem faz plantão uma vez na semana, hoje em dia ela é contínua. Todos os dias os profissionais sofrem agressões verbais, exaltação dos pacientes e quase vias de fato”, afirmou.

“Havíamos acionado o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) diante das violências que ocorreram no Pronto Socorro Vassily Chuc, lá em março, quando a GCM tirou seu efetivo do local. O MPT entrou com pedido de liminar na SMS solicitando a resolução da falta de segurança. A liminar, até a data de ontem, não havia sido avaliada pelo juiz. Estamos aguardando para ver se vai sair”, informou.

Frascine diz que as agressões acontecem mais no serviço público. “O serviço privado tem guarda armada. O serviço público não. Mas médicos do serviço particular também informam que estão sofrendo agressões verbais dos pacientes. O paciente anda sobressaltado e desconta no profissional de saúde sua ansiedade, seu transtorno mental, sua preocupação”, disse.

Caso um médico decida abrir um boletim de ocorrência contra um paciente específico, ele pode. “Ações individuais podem ser tomadas, mas tem que partir do profissional que foi agredido. Na verdade, isso é criminal. Ele abre um boletim de ocorrência e a pessoa vai responder criminalmente por isso”, explica. Já o sindicato, segundo a médica, por pensar no coletivo dos médicos toma ações judiciais em âmbito mais abrangente.

Ela explica que não é possível quantificar quantas agressões, até o momento, os médicos goianos têm sofrido. “Não quantificamos agressões mínimas. Apenas quantificamos aquelas que ocorrem denúncia, boletim de ocorrência e que chegam ao nosso conhecimento. Não fazemos denúncias a cada agressão que sofremos”, disse.

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