Palocci é indiciado pela Polícia Federal por suspeita de ter recebido propina da Odebrecht

Ex-ministro foi preso pela Lava Jato em março, sob acusação de ter intermediado pagamentos da ordem de R$ 128 milhões para o Partido dos Trabalhadores

Foto: Wilson Dias/ABr

Para a Polícia Federal, Palocci é o “italiano” citado em planilhas e e-mails de executivos da Odebrecht | Foto: Wilson Dias/ABr

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci (PT), preso em setembro na Operação Lava Jato, foi indiciado nesta segunda-feira (24/10) pela Polícia Federal (PF), sob a acusação de ter recebido propina da Odebrecht. Os valores, de pelo menos R$ 128 milhões, teriam sido pagos ao seu partido para que ele beneficiasse a empresa em obras e projetos do governo federal.

Segundo as investigações da PF, Palocci é o “italiano” a quem se referem executivos da empreiteira em planilhas de pagamento. Ele também é citado em e-mails e mensagens de funcionários e do ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, preso pela Operação Lava Jato.

Ele teria beneficiado a Odebrecht em contratos de sondas de exploração do pré-sal, na aprovação de medidas fiscais que os ajudariam e também é suspeito de atuar para aumentar linhas de crédito para remunerá-los por exportação de serviços para a Angola.

No indiciamento, os policiais afirmam que Palocci atuou como intermediário das propinas mesmo após deixar os ministérios que ocupou. “Muito embora tenha deixado de exercer função pública a partir da metade de 2011, continuou, em virtude dos cargos que exerceu e da posição de relevo dentro do Partido dos Trabalhadores, a gerir e a receber recurso de propina da Odebrecht, assim como a interferir em seu benefício”, afirmam.

Agora, cabe ao Ministério Público Federal (MPF) avaliar se cabe ou não oferecer denúncia contra ele por corrupção passiva. Caso o MPF aceite formalizar a denúncia, o juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sergio Moro decide se ele será réu no processo. Palocci nega as acusações.

Além de Palocci, também foram indiciados seus ex-assessores, Branislav Kontic e Juscelino Dourado, e Marcelo Odebrecht, todos por suspeita de corrupção. Os publicitários João Santana e Mônica Moura completam a lista, indiciados por lavagem de dinheiro.

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